quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sérgio Ricardo

João Lutfi, conhecido artisticamente como Sérgio Ricardo, nasceu em Marília/SP, no dia 18 de junho de 1932.

Foi o primeiro fdos filhos de Maria Mansur Lutfi e Abdalla Lutfi. Vindo da Síria, o casal se mudou para Marília em 1930, no ano de fundação da cidade.

Em 1940, aos 8 anos, Sérgio ingressou no Conservatório de Música de Marília para estudar piano e teoria musical.

Sua família se mudou para a capital paulista. Continuou seu aprendizado de piano e cursou o ginásio no Liceu Pasteur. Aluno rebelde, só se empenhava em matérias relativas às artes. Dois anos mais tarde, voltou com a família para Marília.

Ouvindo a banda do maestro Galati no coreto do jardim; o cantar de nordestinos, interpretações do regional e intérpretes locais no programa semanal da Rádio Clube de Marília, ouvindo cotidianamente os programas da Rádio Nacional, sedimentou em seu inconsciente a brasilidade musical da época.

Findo o ginásio, foi para São Vicente trabalhar na rádio Cultura São Vicente, como operador de som e locutor e discotecário - onde travou conhecimento diário com toda a música da época e ampliou seu conhecimento da história da música. Do erudito ao popular, do nacional ao estrangeiro. Seu ouvido ficou, por um ano, tomado pela informação, distante de seu piano e dos estudos. Num piano cedido pelo dono da boite Savoi passou a tirar de ouvido as músicas que ouvia diariamente. Seu toque motivou o dono da boite a contratá-lo para as domingueiras. Sozinho, animou a noite, solando tangos, sambas, valsas, choros, foxes e outros ritmos ao estilo do pianista Carmen Cavalaro, coqueluche da época, e a casa lotava. Seu cachê era três vezes maior do que o radiofônico, até que levado pelo tio para o Rio de Janeiro, veio-lhe a certeza de que não abandonaria mais a música.

Sérgio atuou como locutor no programa do tio, na Rádio Vera Cruz, depois de aprender com ele a arte da locução e da narração. Paralelamente retomou seus estudos de piano e teoria musical no Conservatório Nacional de Música. Exercitava-se no piano da rádio e cursava o científico no Lafayete. Trocou o colégio pela leitura. Tornou-se um leitor obstinado e se fixou no estudo das artes.

Em Sampaio, exercitava-se diariamente num piano de seu amigo vizinho . Exibiu-se em festas de colégio e frequentou o auditório da Rádio Nacional para ver de perto os artistas que admirava: Léo Peracchi, Radamés Gnatalli, Garoto, Lúcio Alves, Dick Farney e tantos cantores e músicos bons da época.

Foi contratado como pianista da boite Corsário, na Barra da Tijuca e ingressou na vida noturna. Com o lucro de seu trabalho de pianista solo, comprou seu primeiro piano, um Rener vertical que o acompanhou por décadas. Com a continuidade da peregrinação em boites do Rio, suavizou a dificuldade familiar e tornou-se conhecido.

Retomou seus estudos de música e o trabalho como pianista. Em Copacabana, seu colega Newton Mendonça lhe informou de uma vaga na boite Posto Cinco, onde Tom Jobim, seu parceiro, havia deixado o lugar de pianista. Sérgio ganhou a vaga.

Durante longos anos em que trabalhou na noite, sucederam-se rápidas e fecundas transformações. Descobriu Johnny Alf, Moacir Peixoto, João Donato, João Gilberto, Lúcio Alves, Tito Madi, Fats Elpídio, Esdras e outros com os quais aprendeu a música mais elaborada, pesquisando formas e o bom gosto vanguardista que cada qual expressava com seu instrumento, interpretação ou composição. Tomou aulas de harmonia e contraponto com Paulo Silva, Moacir Santos, Ester Scliar e começou a compor, prestes a largar a noite. Na boite Chez Colbert (mais tarde Little Club), da belíssima portuguesa Eunice Colbert, no Beco das Garrafas, começou a cantar incentivado por ela.

Muito requisitado, vivia a trocar de emprego, tendo rodado praticamente todas as casas noturnas do Rio e São Paulo. Às vezes só, às vezes com trio. E em meados de 50, cantando, arrojando-se a mostrar suas composições. O compositor Nazareno de Brito,em companhia de Maísa, passou na boite Dominó, em Copacabana, para fazê-la ouvir a mais recente composição de Sergio, "Buquet de Izabel". A intérprete se interessou e gravou a música com arranjo de Simonetti em seu segundo LP. Sérgio foi então lançado, oficialmente, como compositor. De sua fase pianística ficou ainda o registro de um LP, feito para a Continental, "Dançante nº1", com músicas americanas, brasileiras e algumas composições suas ainda sem letra. Virou prefixo de programa radiofônico e recebeu elogio da crítica tendo uma execução relevante no rádio, pouco voltado para a música instrumental.

Venceu um concurso para ator de cinema. O filme não se realizou. Mais tarde, em São Paulo, foi chamado por Teófilo de Barros, diretor artístico da emissora, que após um teste o contratou como ator, por 4 anos, para TV e para a rádio de sua coligada Rádio Difusora, com uma condição: mudar seu nome. João Lutfi relutou, mas concordou em se transformar em Sérgio Ricardo. Passou a intercalar seu trabalho de ator com o de pianista da noite.

Estrelou o musical "Música e Fantasia" (do próprio Theofilo de Barros), como galã. Atuou também em vários programas e fez alguns papeis em novela de capa e espada. Sentiu-se desconfortável com a quantidade excessiva de trabalho e rompeu o contrato. Voltou para a noite.

Voltou a morar no Rio na rua Humaitá. Assistindo a um deslizamento na pequena favela frente à sua janela, soterrando barracos, mobilizado pela cena, sentou-se ao piano e compôs "Zelão", seu maior sucesso .

Apresentado ao novelista e escritor Pedro Anísio, que finalizava o roteiro da novela da TV Rio, "Está escrito no Céu", dirigida por Carla Civelli, Sérgio ganhou o papel e fez sucesso como galã. Seu rosto ficou mais conhecido do grande público carioca. O personagem de Sérgio cantava ao piano, o tema principal da novela. Renovou o contrato com a TV Rio, integrou o elenco da novela, "Mulher de Branco", e ganhou belos papéis no grande teatro dirigido por Carla e Benedito Corsi, Studio B, que encenou peças de grandes autores.

Seu aprendizado sobre cinema teve participação de Carla e, principalmente, de Ruy Guerra, diplomado pelo IDEC na França. Com a experiência de ator e o convívio com a câmera, somados à leitura de livros sobre roteiro e direção, Sérgio já se considerava apto a encarar o cinema, e anseava pelo momento.

Na mesma época, gravou seu primeiro disco como cantor para a RGE, com a música de Geraldo Serafim "Vai Jangada", um 78 rotações, muito tocado no rádio. Saiu seu segundo disco, com as músicas "Cafezinho" e "Amor Ruim".

Dermeval Costa Lima ofereceu um horário nobre na Tv Continental para Sergio dirigir um programa musical, atuar e cantar, formando um par romântico com sua companheira Luely Figueiró, bela atriz e cantora do cinema brasileiro. O programa foi batizado por Demerval de "Balada".

Miéle, diretor de estúdio dos programas de Sérgio e admirador de suas composições, levou-o à casa de Nara Leão para conhecer a turma da "Bossa Nova". Todos curtiram o trabalho de Sérgio e o convidaram a participar do movimento.

Sérgio adotou o violão como seu segundo instrumento e tornou-se um bossa-novista.

Em 59, João Gilberto lançou definitivamente a Bossa Nova com seu primeiro disco, pela Odeon. Aluísio de Oliveira convidou Sérgio para fazer o seu primeiro LP e o contratou por dois anos.

Saiu o LP "A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo", só com composições próprias: "O nosso olhar", "Ausência de Você", "Pernas", "Não gosto Mais de Mim", "Poema Azul", "Buquet de Izabel" e a de maior sucesso, "Zelão". Produção de Aloísio de Oliveira e arranjos de Lindolfo Gaia. Foi muito executado e alcançou grande sucesso. Sérgio passou a comparecer aos programas musicais de maior audiência, em voga por todos os canais de TV, Demerval Costa Lima, nessa época na TV Tupi, foi encarregado da primeira transmissão ao vivo, em cadeia, da televisão brasileira, de um programa feito parte no Rio e outra em São Paulo. O tema: Bossa Nova. Em São Paulo, dirigido por Cassiano Gabus Mendes e no Rio, por Sérgio.

Continuou na Tupi, com seu novo programa "Ao Sol da Tarde" . Ficou no ar por um ano, com uma pombinha que pousava no piano enquanto ele tocava, cantava e entrevistava convidados.

Foi contratado para um programa seu, semanal na TV Itacolomi, de Belo Horizonte. Além de apresentar-se com músicos locais, sorteava uma carta, para fazer uma serenata após o programa, ressuscitando a moda em BH.

Fez vários shows pelo país, e financiou e dirigiu seu primeiro filme, "Menino da Calça Branca", em 35 mm. Rodou o filme na favela Macedo Sobrinho (hoje extinta). que ficava atrás de seu prédio no Humaitá. Zezinho Gama, Laura Figueiredo, Ziraldo e Sérgio atuaram no filme. Seu irmão Dib Lutfi fez a fotografia. Ao ver a projeção do copião na sala da Lider, Nelson Pereira dos Santos ofereceu-se para montar o filme - de graça. Nasceu uma amizade e outro envolvimento: o Cinema Novo.

A Odeon lançou seu segundo LP "Depois do Amor" com arranjos de Gaia e produção de Aluísio de Oliveira. No repertório, as músicas que gostaria de ter feito, de seus companheiros da bossa.

Mais voltado para o cinema, Sérgio terminou seu curta. Foi escolhido pelo Itamaraty a representar o Brasil no festival de cinema de São Francisco na Califórnia, e no festival de Karlovi-Vary (Tchecoslováquia). No Rio, ganhou o Prêmio Governador do Estado. Em Salvador, recebei o prêmio da reitoria da Universidade Católica, no Primeiro Festival de Cinema da Bahia e Sérgio viajou para S. Francisco acompanhando o filme. logo negociado com um distribuidor americano, que lhe pagou o referente ao custo do filme, como adiantamento.

Dias antes do término do festival Sérgio foi convocado pela cônsul do Brasil em N. York, Dora Vasconcelos, a participar do concerto da Bossa Nova no Carnegie Hall. Ao término do festival embarcou para N. York, para ensaiar e se apresentar juntamente com seus colegas. Cantou "Zelão" e "O nosso Olhar". Foi muito aplaudido.

Participou do show de Bossa Nova em Washington e voltou para NY.

Foi morar no Village, e lá permaneceu durante quase um ano, preparando o roteiro de um próximo filme. Recebeu um convite do consagrado Village Vanguard. Revezou-se no palco, com Herbie Man e Bola Sete, violonista brasileiro. Contratado por uma semana, com prorrogação por mais uma, devido à sua aceitação.

Voltou para o Brasil iniciando seu primeiro longa metragem - "Esse Mundo é Meu". Escreveu, roteirizou, fez a trilha sonora e dirigiu , ao estilo da Nouvelle Vague. No elenco Léa Bulcão, Ziraldo, Antonio Pitanga, Luzia Aparecida, Sergio Ricardo, Cavaca (humorista). Inserção de trechos da Peça Ripió Lacraia de Chico de Assis, fotografia de Dib Lutfi.


Em 1963, agora, levado para os estúdios da Philips, por seu produtor Aluísio de Oliveira gravou seu terceiro LP "Um Senhor Talento", com novas 12 composições dentre as quais, "Folha de Papel", "Esse Mundo é Meu", "Enquanto a tristeza não Vem", "Barravento" e "Fábrica", de maior sucesso.

Seu amigo Chico de Assis o convidou a participar do CPC, Fez a trilha para uma peça de Carlos Estevão, atuou nos shows habituais, e se integrou no movimento, atuando em universidades, favelas, portas de fábricas, usando a música como meio de conscientização.

Fez a trilha sonora do filme de Glauber Rocha, o legendário "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que lhe rendeu vários prêmios. Enquanto isso, Ruy Guerra, acabava a montagem de seu filme "Esse Mundo é Meu".

Cresceu vertiginosamente a articulação das esquerdas culminando com o comício de Jango frente à Central do Brasil. Lacerda mandou metralhar a porta do prédio da UNE, no momento da saída de uma manifestação do CPC, ferindo um estudante que caiu ao lado de Sérgio. No dia seguinte incendiou-se a sede da UNE em represália a atuação política dos estudantes. Acompanhado de amigos e curiosos. Sérgio presenciou a queimada de um sonho até a última chama.

Seu filme foi escolhido para representar o Brasil no festival internacional do Líbano. Sérgio Ricardo viajou para lá em lua-de-mel com Ana Lúcia. Antônio Pitanga os acompanha como ator convidado. O filme foi bem recebido e ao saberem de sua ascendência síria, foi convidado a dirigir um filme na terra de seu pai. Sérgio aceitou, curioso por conhecer Sidnaia e lá filmou "O pássaro da Aldeia". Um média metragem que discutia a imigração. O filme foi proibido de sair do país e Sérgio sequer ganhou uma cópia, por conta da temática do filme. No ano seguinte o filme foi exibido no festival do Líbano, com muito sucesso.

"Esse Mundo é Meu" foi selecionado para ser exibido com os demais filmes brasileiros na mostra do Cinema Novo em Gênova Foi muito aplaudido e um distribuidor italiano ofereceu 10 mil dólares de adiantamento para a exibição no território Italiano, mediante a entrega do master do filme, que nunca chegou às suas mãos. Foi considerado pelo crítico Luc Mullet, em artigo (publicado no Cahiers du Cinema), como um dos cinco melhores filmes do ano.

Retornou de Roma para São Paulo, engajando-se na luta de resistência, convocado a participar de forma constante.

Dirigido por Chico de Assis, fez um espetáculo duradouro no Teatro de Arena, "Esse Mundo É Meu", acompanhado por Toquinho e Manini, com casa lotada durante toda a temporada. Neste mesmo ano, o cine clube de Marília, em seu festival anual premiou "Esse Mundo é Meu" como o melhor filme do ano, e Sérgio foi receber o "Curumim" em sua cidade natal.

Foi contratado pela gravadora "Forma". Saíram dois LPs, um com sua trilha do filme "Esse Mundo é Meu" e outro com a de "Deus e o Diabo", que obtém em 66, dentre outros prêmios ,o de melhor trilha para cinema pela Comissão Estadual de Cinema, S.Paulo.

Mais uma mudança para o Rio de Janeiro, desta vez para a rua Barão de Jaguaribe, em Ipanema. Em seu piano Rener, criou a trilha sonora da peça "Coronel de Macambira" de Joaquim Cardoso, convidado por seu diretor Amir Haddad, encenada pelo TUCA do Rio. Naquele mesmo piano compôs a trilha sonora de "Terra em Transe", convocado mais uma vez por Glauber Rocha, que agora o incitava a escrever para orquestra.


Em 1967, com composições inéditas, dentre as quais, trechos das últimas trilhas, gravou o LP "A Grande Musica de Sérgio Ricardo", pela Phillips. Capa de Ziraldo, com 12 novas composições, dentre as quais, "Zé do Encantado", "Brincadeira de Angola" (parceria com Chico de Assis) "A Praça é do Povo" (parceria com Glauber Rocha) e "Bichos da Noite" (parceria com Joaquim Cardoso).

O rádio raramente tocava alguma música de sua safra social, preferindo repetir as antigas que ainda se ouviam com certa frequência. Mas nos shows que fazia de norte a sul do pais, cantava suas músicas políticas, que deixava para o fim do espetáculo, causando um grande impacto. Porém, nunca deixou de apresentar e gravar o seu repertório lírico. Voltou para São Paulo.

Inscreveu sua música "Beto Bom de Bola", a convite de Solano Ribeiro, no festival da Record. Chegou à final, mas impedido de cantar pelo som das vaias, quebrou seu violão e o atirou na platéia, e transformou-se em notícia internacional. Como desagravo, ganhou alguns violões. Shows no Rio e S. Paulo foram realizados, com a nata da MPB, todos solidários com seu gesto. Choveram manifestações de toda ordem na imprensa, na política, etc. consagrando o seu gesto, como um marco na história de nossa música. No ano seguinte, voltou ao mesmo festival com sua música parcialmente censurada : "Dia da graça", chegando também à final. A parte cortada pela censura foi cantada pela platéia, acompanhada pelo Modern Tropical Quintet, enquanto ele permanecia mudo frente ao microfone. O público daquele festival, desta forma, se redimiu com Sérgio.

Passou a compor e participar de todos os festivais.

Dirigido por Augusto Boal apresentou-se em seu show "Sérgio Ricardo na praça do Povo" sozinho no palco, cantando com playbacks, inclusive a música "Beto Bom de Bola", com belíssimo arranjo de Rogerio Duprat, além de responder a questionamentos de personalidades mostradas em circuito interno de televisão. Ficou um bom tempo em cartaz com casa lotada.

Ganhou na TV Globo, em horário nobre das quartas feiras, um programa seu "Sérgio Ricardo em tempo de avanço", dirigido por Chico de Assis. Não durou muito. Sérgio não aceitou a recomendação insistente de Boni de baixar o nível do programa e se demitiu.

Ganhou outro programa como apresentador e galã de "Pernas", um musical dirigido por Roberto Palmari na TV. Excelsior.

Não quis aceitar as propostas oportunistas que lhe surgiram em consequência da enorme popularidade alcançada por conta do episódio do violão. Preferiu se recolher, dedicando-se a dar prosseguimento ao seu cinema.

Nos anos 70, de volta ao Rio de Janeiro, Sérgio lançou seu novo LP, o oitavo da carreira, com arranjos magistrais de Theo de Barros para as músicas "Mundo Velho", "Arrebentação" (que dá título ao disco), "Conversação de Paz", a mais tocada no rádio, juntamente com "Jogo de Dados", e outras. Em todas elas, mesmo as mais líricas o autor não abre mão da denúncia social. Saiu pela gravadora nacional Equipe, de Osvaldo Cadaxo.

Aos 40 anos, foi agraciado no fim do ano, como presente de Natal, com o nascimento de sua primeira filha - Adriana. Sérgio ganhou vida nova.

Criou um grupo com os músicos Piri Reis, Cassio Tucunduva, Fred Martins, Franklim da Flauta, e Paulinho Camafeu. Ensaiava em seu estúdio no anexo da casa e veio a gravar outro LP pela Continental, reunindo doze novas composições, dentre as quais seus sucessos cantados pelos estudantes em suas andanças pelo Brasil, tais como "Calabouço" (inspirado em Edson Luis, estudante assassinado pelos militares no restaurante Calabouço), "Tocaia" (em homenagem a Lamarca, grande herói da guerrilha), "Semente", "Sina de Lampião", "Canto Americano" e outras alem de "Vou Renovar",( uma sátira do momento político) com a qual passou a encerrar seus shows fazendo a platéia cantar o refrão, e ao final aplaudi-lo delirantemente.

Em 1974 saiu pela Continental o LP "A Noite do Espantalho".Nasceu sua filha Marina, anunciando a chegada da primavera. Voltou a compor e com o titulo de uma nova canção "Ponto de Partida", preparou um novo show para percorrer o Brasil.

Em 1975 a RCA lançou o LP "Sérgio Ricardo", série MPB Espetacular, produzido por Aloísio de Oliveira, inconformado com a absoluta ausência de sua voz no rádio.

Saiu pela Continental um LP "Sérgio Ricardo e Geraldo Vandré, Juntos".

Em 1983 saiu seu primeiro livro de poemas "Elo Ela" pela Civilização Brasileira, a convite de Enio Silveira e de seu diretor literário, o poeta Moacyr Felix, com prefácio de Antonio Houaiss. Preparou um show de voz e violão para apresentar-se no Barbas, em Botafogo, declamando seus poemas do livro "Elo Ela", entremeados de suas canções, em gloriosa temporada.

Na década de 80 participou várias vezes do Projeto Pixinguinha.

Em 1989, aos 58 anos, de sua união com Irene Cristina nasce seu terceiro filho temporão - João. Nova alegria, novo estímulo. Apresentou com seus músicos e a cantora Telma Tavares o cordel "Estória de João Joana", no Masp em S. Paulo com a Orquestra Jovem, regida pelo maestro Juan Serrano. Sua aceitação rendeu mais uma apresentação no dia seguinte.

Em 1990 o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Rio de Janeiro apresentou a "SEMANA SÉRGIO RICARDO", com a exibição de seus filmes, seus livros, pinturas, debates e culminando com seu show, acompanhado por Bororó no baixo. Ao piano e violão executou e cantou uma síntese de seu repertório. No ano seguinte foi convidado para repetir a semana no Museu da Imagem e do Som em São Paulo.

Em 1997 compôs a trilha sonora da novela "Mandacaru". No ano de 1998 deu início aos arranjos e gravação do novo disco com produção própria, independente, "Quando Menos se Espera" com seis composições novas e quatro releituras de músicas antigas. Mesclou, em seu estúdio, a gravação digital com músicos. (Zelão,O nosso olhar, Calabouço e Beto bom de bola). Fez, sozinho, o clip em animação de "Zelão", para ser acoplado ao CD.

Outra apresentação de "Estória de João-Joana", dirigida e produzida por Adonis Karan se dá em setembro de 99, ano em que Sérgio Ricardo comemorou 50 anos de carreira - idéia e apresentação de Ricardo Cravo Alvim - com a presença da mídia e de convidados ilustres - tanto no palco quanto na platéia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

São lançados dois Cds: O primeiro, "Estória de João-Joana", pelo selo MEC, com interpretações de Chico Buarque, João Bosco, Geraldinho Azevedo, Elba Ramalho, Telma Tavares e Alceu Valença. O segundo CD, "Quando menos se espera", pela Niterói Discos, com composições todas de sua autoria, dividindo as faixas com as vozes de suas filhas Adriana e Marina Lutfi.

A convite de Jorge Roberto da Silveira, prefeito de Niterói, estreou seu projeto Palco Livre, na lona da Cantareira, todas as terças-feiras, com absoluto sucesso. A filosofia do empreendimento era revelar novos valores e resgatar os valores esquecidos da mídia, todos significando a melhor produção da verdadeira música brasileira.

Foi homenageado no Festival de Cinema de Brasília, com seu filme "A noite do Espantalho" abrindo o festival no teatro Villa Lobos. Antes do filme, a quarta apresentação do concerto "Estória de João-Joana", com orquestra sinfônica regida pelo maestro carioca Silvio Barbato. O canto foi dividido entre Sérgio Ricardo, Telma Tavares e Marina Lutfi.

Em 2002 mudou-se para Niterói. Passou a dedicarse exclusivamente ao Palco Livre, como atividade principal.

O Palco livre entrou em seu segundo ano de sucesso, e foi interrompido sob protesto de seu público. Neste mesmo ano foiconvidado a dar uma oficina de "música para cinema" em Fortaleza, em cujo festival foi exibido seu filme "A Noite do Espantalho".

Fez alguns shows com nova banda, em circuito do Sesc em São Paulo.

Em 2004, aos 71 anos de idade, trocou as cordas do instrumento para realizar um show de voz e violão: "PONTO DE PARTIDA", aperfeiçoando sua execução, sua voz e seus arranjos de um repertório síntese de seus trabalhos musicais.

Fonte: Site oficial

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