sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Serguei

O cantor Serguei, nome artístico de Sérgio Augusto Bustamante, nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1933.

Filho de um executivo da IBM, Domingos Bustamante, e da dona de casa Heloísa, Serguei nasceu no Rio e foi criado com os mimos de filho único. "Aos 12 anos, disse a meu pai que queria morar nos Estados Unidos, pois não suportava viver num país do terceiro mundo", conta. Foi morar com a avó materna, Lia Anderson, em Long Island, Nova York, onde participou de festivais estudantis. De volta ao Brasil, em 1955, trabalhou no Banco Boavista, de onde foi despedido. "Ficava amarradão andando de elevador para baixo e para cima." Foi, então, para a aviação, onde trabalhou como comissário de bordo na Loyd Aéreo, Cruzeiro do Sul, PanAir e Varig. "Depois de servir passageiros, íamos para a cauda do avião e eu imitava a Dalva de Oliveira e o Elvis Presley", lembra. Na Varig, teve sua segunda demissão. "Estava em Madri e era folga. Pus um perucão maravilhoso e fui dançar. Depois de beber, pulei em cima da mesa onde estava a atriz Gina Lolobrigida, puxei-a pelos quadris, dançamos e tomamos um banho de sangria", diverte-se. Na saída, bêbado, brigou com o dono da boate. "Quando cheguei ao Rio, tinha um relatório na mesa do chefe", conta.

De volta aos Estados Unidos‚ em 1963, ele morou no Village, em Nova York, e cantou em bares. Com suas performances, roupas extravagantes e o rebolado, agradava ao público. "Pouco estudei música", diz. "Mas canto, grito, pulo e requebro." Nessa época, conheceu Janis Joplin, freqüentou a casa de Jim Morrison, líder do The Doors, foi a Woodstock e viu Jimi Hendrix. "Éramos movidos a incensos e Jack Daniel's", conta.

Sergei conheceu a fama quando o compacto Alucinações de Serguei estourou nas rádios, em 1965.

Quando o mundo fervia em mudanças, protestos e novos comportamentos, Serguei não flertava com a Jovem Guarda e muito menos com a Bossa Nova, apesar da simpatia pelo Tropicalismo. Ele estava mesmo é sintonizado com a psicodelia que explodia com o 'Verão do Amor'. Nesse clima ele gravou 'Eu Não Volto Mais' (falando no perigo da bomba atômica), 'As Alucinações de Serguei', 'Maria Antonieta Sem Bolinhos' (um clássico!) e 'Sou Psicodélico'.

Chamou atenção quando, em 1967, subiu na estátua do Pequeno Jornaleiro, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, para dar vivas ao rock e à liberdade de imprensa em pleno regime militar. Fama mesmo veio pelo fato de ter tido um affair com a diva americana Janis Joplin, no final de 1969.

Em 1969, gravou o compacto 'Alfa Centauro/Aventura', acompanhado do grupo carioca The Cougars, lançado pelo selo 'Orange', que flertava com a tropicália, mas sem perder a 'acidez' psicodélica.

Em 1970, lançou o compacto com 'O Burro Cor-de Rosa' e 'Ouriço', produzido por Nelson Motta, com sugestivas letras que lhe renderam alguns problemas com o regime militar.

No ano seguinte, veio mais um compacto com 'Mamãe Não Diga Nada ao Papai' e 'Alergia', produzido por Hernam Torres.

Desde então, gravou esporadicamente, com destaque para o compacto 'Hell's Angels do Rio' e 'Ventos do Norte', com a a banda Cerebelo, lançado em 1983.

Rio de Janeiro, 1971. O roqueiro Serguei encontra com sua ex-namorada Janis Joplin, em frente ao hotel Copacabana Palace, no qual ela estava hospedada, e os dois caminham até a Rua Prado Júnior, onde ele se apresentaria na boate Holiday com a atriz Darlene Glória. De repente, Janis se ajoelha na calçada e grita: "Have a pen?". Em seguida, ela desenha sobre o zíper da calça dele um coração com a frase: "Serguei and Janis Joplin - love". Depois de sua morte, Serguei procurou a velha calça listrada de azul e branco quando, então, ouviu da mãe: "Aquela toda rabiscada? Dei para os pobres".

Quando o pai adoeceu, em 1973, Serguei voltou definitivamente ao Brasil. A família mudou-se para Saquarema, na Região dos Lagos, Rio. "Fiquei com ele até o fim", conta. "Lia para ele, fazia sua barba."

Depois de gravar alguns compactos, finalmente lançou o primeiro disco aos 57 anos, com produção do popular Michael Sullivan. No repertório, Satisfaction, dos Rolling Stones; Help dos Beatles, Summertime e Mercedes-Benz de sua musa Janis Joplin.

Desde 1982, vive em Saquarema, no Rio de Janeiro. Desfila até hoje de peruca loira espetada e lentes azuis.

Sergei gravou dez discos, o primeiro e único LP veio somente em 1991, depois de uma elogiada apresentação no Rock in Rio II. No disco, além de originais, estão covers para clássicos do rock, como 'Satisfaction', dos Rolling Stones, e uma hilária versão para 'Roll Over Beethoven', que virou 'Rolava Bethânia'. Assim como os compactos, a íntegra do LP permanece inédito em cd.

Oito anos depois, Serguei voltou à cena com o lançamento da biografia "Serguei - O Anjo Maldito", de João Henrique Schiller. Planeja lançar seu primeiro CD, Rota 66, com participações de Evandro Mesquita e Roberto Frejat.

No final da década de 90 perdeu a mãe. Hoje, não tem rotina, fora os 45 abdominais diários. "Sou vaidoso. Fui um dos primeiros a usar interlace nos cabelos no Brasil", diz ele. Garante que não usa drogas e não abre mão de sua nada convencional preferência sexual. Além de homens e mulheres, disse que já transou até com uma árvore.

Muito ligado à natureza, Serguei reside em uma casa em Saquarema, que ele mesmo denominou "Templo do Rock". Lá, ele recebe visitantes e mostra objetos e fotos de ídolos e de momentos da sua vida. E é de Saquarema que ele parte para alguns shows pelo Brasil, trabalho que o sustenta há quase 40 anos. Faz shows no Norte e no Nordeste. "Num mês razoável, ganho de R$ 3 mil a R$ 4 mil ", conta. O único rendimento certo são os dois salários mínimos que recebe do INSS como autônomo. Serguei ostenta o título de artista oficial do grupo de motoqueiros Hell's Angels no Brasil. Sua discografia é distribuída para integrantes do Hell's no mundo. Na única vez em que andou de moto, porém, caiu e ficou uma semana no hospital, com um coágulo na cabeça.


Fontes: Sites Wikipédia; Portal Saquarema, Listal; Youtube.

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