sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Luiz Carlos Clay

O cantor Luiz Carlos Clay nasceu em Recife, PE, em 16 de junho.

Luiz Carlos Clay
Seu pai era carioca e conheceu sua mãe no Recife por ocasião da parada do navio que ia para a Itália lutar na Segunda Guerra. Quando o comandante da base aérea da Aeronáutica desceu, perguntou quem tinha uma especialidade. Ele, então, deu um passo à frente, porque era aerofotogometrista -- fotografava o Brasil do avião, a fim de fazer os mapas. Por conta disso, os pais casaram-se e tiveram nove filhos, dos quais dois morreram. O curioso é que todos os filhos receberam nome de líderes comunistas. O pai de Luiz Carlos Clay, além de militar, vivendo no Rio de Janeiro, era comunista e servia a esse partido. Ele esteve preso com Luiz Carlos Prestes, no Rio, e quando preso prometeu que um dia iria dar esse nome a um filho, em homenagem a Luiz Carlos Prestes. Pois esse filho foi Luiz Carlos Clay. Os outros são Vladimir Lenini, Katia Cilene, Olga Benário – nome da mulher do Luiz Carlos Prestes –, Marla e Nina Gabriela, todos estes nomes de líderes comunistas no mundo.

Luiz Carlos Clay com os irmãos Katia Cilene e Vladimir / 1964
Luiz Carlos Clay iniciou a carreira artística em 1966 quando foi contratado pela gravadora CBS, onde gravou seu primeiro compacto com duas faixas. Uma delas, "Uma Casa sobre o Mundo”, versão de uma música italiana, foi um estouro no país inteiro. Depois do Festival de San Remo, que acontecia na Itália, músicos e cantores rapidamente preparavam boas versões e lançavam aqui no Brasil. O próprio Roberto Carlos participou do festival e saiu vitorioso. Em razão disso, todas as músicas de destaque eram escolhidas pelos cantores românticos brasileiros.

Passou para seu compacto duplo com a música “Praia”, gravada pelo Agnaldo Rayol em São Paulo e Luiz Carlos Clay no Rio de Janeiro. Só que eu Clay tinha uma grande vantagem sobre Agnaldo Rayol. Rayol tinha pavor de avião e e Luiz Carlos Clay que para diversas cidades brasileiras para cantar essa música. Nessa mesma época, Clay participou do programa "Rio Ritz", cujo produtor era o Jair Traumaturgo que colocou o cantor nas paradas de sucesso e o lanço na Jovem Guarda. Foi um enorme sucesso. Luiz Carlos Clay aprsentava-se todas as semanas em shows por todo o Brasil.


Luiz Carlos Clay com Katia Cilene
Foi, então, convidado para participar do programa Jovem Guarda. Na TV Rio, o programa passou a se chamar “Alta Tensão”, por causa da voz forte de Luiz Carlos Clay. Foi outro grande sucesso.

Na gravação do seu terceiro disco, Luiz Carlos Clay já estava com toda a sua família morando no Rio de Janeiro. Até sua irmã, a cantora Kátia Cilene, estourou no Brasil com a música “Bilhetinho Apaixonado”, do Othon Russo, produtor da CBS.Foi quando o cantor marcou o seu primeiro show ao vivo, para a ABB. Tudo estava perfeitamente programado, inclusive com orquestra. Luiz Carlos Clay acreditava que aquele show seria decisivo para a continuidade da sua carreira. Por isso, o cantor estava muito nervoso, inquieto, com medo, preocupado com tudo. Sua apreensão era visível. Todos percebiam que ele estava realmente muito ansioso. Até que alguém lhe deu um conselho: “Rapaz, toma uma dose de uísque! Você precisa relaxar...”


Luiz Carlos Clay
O cantor recorda que o show demorou a começar e, por isso, bebeu quatro doses da bebida que lhe foi sugerida. Conta que ficou muito alegre, simpático, descontraído e que todo o seu medo e inibição sumiram como por encanto. Acreditava que, por isso, tinha feito o melhor show de sua vida e que foi reprisado várias vezes. Atribuiu todo o sucesso à sua boa performance em razão da bebida. No segundo show, Luiz Carlos Clay levou a própria garrafa de uísque, e no terceiro também... E assim continuou acontecendo, por mais de 26 anos de carreira...

Em 1969, Luiz Carlos Clay foi contratado, através de Celso Teixeira -- muito amigo do apresentador -- por Sílvio Santos.


Luiz Carlos Clay / 1976
Sílvio Santos tinha programas na Globo e na Tupi. Ele comprava o horário todo de domingo na Globo, e o de quinta na Tupi. Luiz Carlos Clay foi contratado pelo apresentador para fazer o programa “Os galãs Cantam e Dançam aos Domingos”. Sílvio Santos contratou, também, Antônio Marcos, Wanderley Cardoso, Paulo Sérgio, dentre outros. Dentre aqueles cantores, alguns também costumavam tomar uísque. Foi aí que Luiz Carlos Clay começou a beber muito. Esses cantores tornaram-se amigos e sempre se reuniam para bate-papos e tomar umas doses.Foi dessa maneira que, durante muito tempo, fez parte do movimento musical, histórico no Brasil, "Jovem Guarda".

Luiz Carlos Clay ficou famoso, ganhou muito dinheiro e achava que conseguia fazer sucesso nos shows e discos por conta do “velho e bom uísque”. Por isso, foi se entregando cada vez mais na bebida. No início da carreira, bebia antes das suas apresentações. Depois, passou a beber também durante e depois, até se tornar alcoólatra.


Luiz Carlos Clay
Participou do Festival Internacional da Canção, no lançamento de Milton Nascimento. Ele participava com "Morro Velho" e "Travessia", e Clay com a música "Tudo é Teu". Milton Nascimento foi o vencedor do festival.

O cantor, participou, também, do filme "Corrida em Busca do Amor", em 1971, de Carlos Reinchenbach, produzido na Boca do Lixo paulistana. Clay foi um dos galãs da fita, ao lado do cantor Dick Danello, que cantava músicas italianas e também ligado à Jovem Guarda, e de David Cardoso.

Nos anos 80, Luiz Carlos Clay participou, também como ator, da novela "Anjo Maldito", do SBT.

Em São Paulo, Luiz Carlos Clay conheceu outra coisa que lhe atraiu muito: músicas italianas. Foi quando teve contato com um público italiano e aprendeu o idioma. Sílvio Santos, então, o chamava para cantar os sucessos na época em italiano. A partir daí, deixou de cantar as músicas que gravava e passou a defender músicas de outros compositores e intérpretes, o que desagradou muito a sua gravadora. Nessa época, os shows começaram a diminuir porque as pessoas que o contratavam não queriam só o Luiz Carlos Cay, queriam “Os Galãs Cantam”. Na época em que assinou contrato com Sílvio Santos, a própria CBS o alertou para o risco de perder sua identidade artística. Mas, Luiz Carlos Clay não lhes deu a menor atenção. Nessa ocasião, bebia desde manhã até a noite. Aliás, todos os seus amigos mais chegados também bebiam. Encontravam-se num barzinho da Rua Dona Veridiana, em São Paulo, que era freqüentado apenas pelos artistas que bebiam. Muitos dos seus amigos faleceram por causa da bebida e Clay chegou a ter coma alcoólico.


Luiz Carlos Clay
Em 1970, Luiz Carlos Clay casou-se e teve filhos.

O cantor conta que estava sempre bêbado quando seus filhos queriam conversar. Não era agressivo, mas era depressivo.

No auge do problema com o alcoolismo, Luiz Carlos Clay perdeu o contato com os filhos, dinheiro e o respeito de todo o mundo. Foi, então, que um amigo, vendo-o sem rumo, lhe convidou a voltar para o Recife e participar de um programa de televisão. Seus filhos, na época, estavam com 14, 13 e 9 anos. Então, em 1985, voltou para o Recife, onde participou de progrmas de TV. Só que passou a beber muito mais porque cada amigo de infância que revia era uma desculpa para beber ainda mais.

Foi, então, que seus filhos e mulher começaram a se afastar dele.

Cantava para muitos políticos e deles ficou sem receber um tostão – políticos que hoje são senadores da república. Diziam eles: “Contrata esse bêbado aí... No final a gente diz que ele já recebeu... Tá bêbado mesmo, nem vai notar...”

Aconteceu, finalmente, a separação da mulher e dos filhos. Passou, então, a beber mais do que antes, para esquecer a separação. Acabou se transformando num homem indesejável em todos os lugares, porque era um indivíduo sem lar, sem família, um nômade perambulando pelas ruas.


Luiz Carlos Clay / 2009
Algum tempo depois, vendeu seu carro e foi Maceió fazer um show. Com o dinheiro que arrecadou voltou, sozinho, para o Rio de Janeiro para se encontrar com o pai que vivia na cidade de Niterói.

Nesse meio tempo Vladimir, seu irmão mais velho, que mora em Ribeirão Preto – que sabia que Luiz Carlos estava desempregado –, lhe telefonou dizendo que lhe conseguira um emprego numa rádio local.

Depois de oito anos sem ver os filhos, Luiz Carlos Clay foi convidado pelo mais velho para cantar em seu casamento com o pedido de que não bebesse na cerimônia.

Luiz Carlos Clay foi, cantou na cerimônia de seu filho e nunca mais bebeu. Nesse mesmo dia, conheceu seu neto.

A partir de então, Luiz Carlos Clay tornou-se evangélico, casou-novamente, continua cantando e é sócio do Capítulo 095 da Adhonep (Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno), em São Gonçalo – RJ .



                                                                        Luiz Carlos Clay - "Vuelve Conmigo Amor" / 1971


                                                                     
                                                                                Luiz Carlos Clay - "Dia de Sol"


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