sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Olívia Hime

Maria Olívia Leuenroth Hime ou simplesmente,Olivia Hime, nasceu no Rio de Janeiro, RJ no dia 25 de junho de 1943.

As mais remotas lembranças musicais de Olivia Hime são as óperas que os pais colocavam nas viagens para a região serrana fluminense. No carro, a pequena Olivia ouvia a tudo atenta, no colo de sua mãe. A família sempre foi extremamente musical, apesar de não haver músicos profissionais.

Aos cinco anos, foi levada pelo pai à Rádio Nacional. Sentada no chão, ouvia um homem com um acordeon cantando “Eu tenho uma mula preta de sete palmo de altura”. Era Luiz Gonzaga, e o primeiro contato efetivo de Olivia com um artista no palco. Ficou tão encantada com tudo que vira e ouvira, que pediu um acordeon de presente ao pai, e começou a estudá-lo.

Aos dez anos, numa viagem a Portugal, conheceu Dorival Caymmi e Amália Rodrigues. Outro encantamento, e na volta, trocou o acordeon pelo violão, quando começou a tirar de ouvido canções da embrionária bossa nova. Aos 12, foi apresentada a pessoas ligadas ao movimento, incluindo Roberto Menescal, que se tornou seu professor de violão. Na seqüência, começou a estudar flauta, piano e teoria musical, os dois últimos com o mestre Moacyr Santos.

Na adolescência, suas grandes paixões eram a música e os cavalos, elementos que remetem à beleza e à liberdade. Aos 19, conheceu Francis Hime, pertencente à segunda geração da bossa nova. Casaram-se e tornaram-se parceiros. Muitas das pérolas do cancioneiro do maestro ganharam letras de Olivia. Também atriz, atuou em memoráveis montagens do teatro, como Caibaté (dirigida por Benjamin Santos) e a Menina e o Vento (de Maria Clara Machado e primeira direção de Marília Pêra), entre outras. Mas o caminho de Olivia, sua síntese artística, seria a junção do teatro com a música.

Olivia Hime relutou durante alguns anos em abraçar a carreira de cantora. Casada com o compositor Francis Hime desde 1969, ela temia não ser aceita pois esbarrava no rótulo de ser "a mulher do Francis" ou por sua amizade com nomes importantes da MPB, como Chico Buarque e Tom Jobim. Aos poucos, foi encontrando seu caminho.

Olivia Hime cantou em um conjunto que também tinha Miúcha e Telma Costa e apresentou-se num show de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Em 1977, produziu "Passaredo", de Francis. Foi então participando de alguns shows dele ou cantando timidamente em faixas de seus discos, enquanto compunha escondida. Lançou um compacto mal divulgado que passou em branco.

O primeiro LP, produzido por Dori Caymmi, tinha cinco composições de Olivia, em parceria com Francis.

Mais que simplesmente uma cantora, Olivia vem desenvolvendo trabalhos burilados e originais, sempre procurando não ser associada a um só estilo de música. Entre os discos de carreira, gravou "A Música em Pessoa", ainda inédito em CD, musicando os poemas de Fernando Pessoa. Em 1987, foi a vez de homenagear Manuel Bandeira. Convidou nomes como Tom Jobim e Dorival Caymmi para dar som aos poemas de Bandeira em "Estrela da Vida Inteira", que virou espetáculo com Olivia e o ator Ítalo Rossi. Em 1998, depois de seis anos de pesquisa em cima da obra de Chiquinha Gonzaga, Olivia lançou "Serenata de uma Mulher — Olivia Hime Canta Chiquinha Gonzaga". Diferente dos trabalhos em que musicou poemas, desta vez Olivia reuniu um time de compositores para pôr letras nas músicas da maestrina. Entre eles, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro e Joyce, que criou um fictício encontro entre Chiquinha e Vinicius de Moraes, em "O Poeta e a Maestrina", com Olivia fazendo dobradinha com Chico Buarque.

Idealizou e produziu o projeto "Compasso", com a participação de diversos artistas como Élton Medeiros, Cristina Buarque & Henrique Cazes, Quarteto Maogani, Zé da Velha & Silvério Pontes, Rabo de Lagartixa, Guinga e Luciana Rabello, em apresentações realizadas no Paço Imperial (RJ).

Em 2000, fundou o selo Biscoito Fino, lançando, nesse ano, um apanhado do primeiro semestre do projeto "Compasso". Ainda em 2000, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como uma das intérpretes da "Sinfonia do Rio de Janeiro", composta em comemoração aos 500 anos do Brasil, por Francis Hime, com letras de Geraldo Carneiro e Paulo César Pinheiro, sobre libreto de Ricardo Cravo Albin. O espetáculo foi registrado em CD.

Gravou, em 2002, o CD "Mar de algodão", contendo exclusivamente obras de Dorival Caymmi. O disco foi produzido por Rodolfo Stroeter e contou com arranjos de Paulo Aragão, Nailor Proveta, Wagner Tiso, Francis Hime e com a participação de Sérgio Santos, Quarteto Maogani e Maurício Einhorn.

No ano de 2004, Olivia Hime lançou o CD "Canção transparente", contendo exclusivamente canções de sua autoria: "Cada canção", "Choro rasgado", "Disfarçando", "Cara bonita", "Cinzas", "A tarde" "Cartão postal", "Parintintim", "Mariposa", "Velho moinho" e a faixa-título, todas com Francis Hime, "Sinuosa" (c/ Maurício Carrilho) e "Sol forte" (c/ Sérgio Santos), além de "Meus heróis", versão assinada pela cantora para "Whatever happened to melody" (Cynthia Thomposon e Ray Jessel). O disco contou com a participação de Lenine, do Quarteto Maogani e do grupo Tira Poeira. Nesse mesmo ano, fez show de lançamento do disco no Teatro Rival BR (RJ), acompanhada do grupo Tira Poeira e do pianista Marcos Nimrichter.

Em 2005, voltou ao palco do Teatro Rival BR, com o show "Canção Transparente". Nesse mesmo ano, apresentou-se no Mistura Fina (RJ). Também em 2005, o disco "Fio da meada" (1985) foi lançado em CD pela Biscoito Fino.

Em 2007, registrou canções de Ruy Guerra no CD "Canções de Guerra". No repertório, "Em tempo de adeus" e "Jogo de roda", ambas com Edu Lobo, "Ode marítima", "Corpo marinheiro", "Minha" e "Último retrato", todas com Francis Hime, "Entrudo" (c/ Carlos Lyra) e "Bárbara" (c/ Chico Buarque), entre outras. O disco contou com a participação Olívia Byington, Francis Hime, Nilze Carvalho e Quarteto Maogami, além do próprio homenageado, declamando alguns poemas.

Numa produção da gravadora Biscoito Fino em parceria com o Canal Brasil, gravou, em 2007, no Sesc Santana, em São Paulo, seu segundo DVD, cujo repertório incluiu canções do CD, "Palavras de Guerra", lançado em homenagem ao cineasta Ruy Guerra, e outras que não entraram no disco, como "Fado tropical" e "Você vai me seguir", ambas com Chico Buarque.


DISCOGRAFIA:

Palavra de Guerra Ao Vivo - CD e DVD (2008)
Palavra de Guerra (2007)
Canção Transparente (2004)
Mar de Algodão (2002)
Olívia Hime canta Chiquinha Gonzaga - Serenata de Uma Mulher (2002)
Alta Madrugada (1997)
Estrela da Vida Inteira (1987)
O Fio da Meada (1985)
Máscara (1983)
Segredo do meu coração (1982)
Olívia Hime (1981)

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB e Site Biscoito Fino

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