sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fábio

O cantor Juan Senon Rolón, mais conhecido pelo pseudônimo de Fábio, que atualmente assina Fábio Stella, nasceu na cidade de Orqueta, no Paraguai.

O pai de Fábio era um latinfundário paraguaio. O cantor, com as irmãs, na cidade onde nasceu.

Ainda criança, Fábio começou a se interessar por música. Cresceu ouvindo suas tias cantando músicas paraguaias e começou a se interessar pelas canções, especialmente o bolero.

Fábio pegava os livros e caderninhos que as tias tinham com letras de músicas e pedia para elas lhe ensinassem. Havia um amigo do seu pai que tinha um conjunto, um trio paraguaio e Fábio foi convidado para participar do grupo para fazer a primeira voz.

O grupo fez uma excursão para o Brasil e Fábio permaneceu em São Paulo, por ficou algum tempo, cantando. Mas, por ser ainda muito jovem, foi levado de volta para o Paraguai por sua mãe.

Quando completou dezesseis anos, Fábio disse à família que queria ira para São Paulo estudar. Mudou-se, então, para a capital paulista em 1963, onde ficou conhecido pelo apelido de Juancito.

Através de Frankito, um cantor paraguaio que fez sucesso durante a década de 60, Juancito participou de um teste na Rádio Record, onde foi aprovado para cantar no programa "Alegria dos Bairros".
Por coincidência, no mesmo dia e no mesmo teste, estava um jovem cantor, chamado Jair, que também estava iniciando a carreira. Era o Jerry Adriani que rambém foi aprovado no teste. Os dois fizeram, então, sua primeira apresentação.

Aquele programa era realizado nos cinemas dos bairros, aos domingos de manhã e era apresentado por Geraldo Blota que era um grande comunicador da época, irmão do apresentador Blota Jr.

Depois de participar do programa "Alegria dos Bairros", Fábio começou a cantar na noite paulistana. Foi cantar na boate do Roberto Luna, cantor de grande sucesso na década de 50. Cantou, também, na boate Cave que era frequentada por muitos nomes importantes da música brasileira.

Na boate Cave também cantava cantor Tim Maia que acabava de voltar dos Estados Unidos e que tinha saído há pouco tempo de uma prisão do Rio de Janeiro.

A primeira música que Fábio ouviu Tim Maia cantar foi "Wonderful World", de Sam Cooke. Naquele momento, todo o conceito que Fábio tinha sobre o canto mudou. Pediu a Tim Maia que lhe explicasse como cantar daquela forma. O cantor, então, começou a falar para Fábio sobre Sam Cooke, Otis Redding, Ray Charles e outros cantores da música negra.

A partir daquela época, Fábio e Tim Maia tornaram-se amigos inseparáveis. veis. De vez em quando, Tim ia a uma boate onde Fábio cantava, na Rua Luiz Coelho, apenas para comer, já que, como músico da casa, Fábio tinha direito de jantar. Tim passava muita necessidade, inclusive frio e fome e, por isso, os dois sempre dividiam o jantar.

A amizade entre os dois prevaleceu por 25 anos, até Tim Maia morrer. Nunca brigaram.

Na mesma boate Cave, Fábio conheceu Carlos Imperial que tinha vindo do Rio de Janeiro para escolher novos talentos para apresentar na TV Tupi, onde estava assumindo a direção artística. Imperial ouviu, o então Juancito cantar e ficou encantado.Chamando Juancito na mesa: "Vem cá ... Seu nome é Juancito? Pô"! Esse nome é ruim pra caramba...Parece nome de toureiro. Com esse nome você não vai fazer sucesso...". E perguntou: "Você quer ir para o Rio de Janeiro comigo?" Fábio foi para sua casa, no bairro de Santana, pegou suas coisas e foi embora para o Rio de Janeiro.

Era o verão de 1967.

Chegando ao Rio, Fábio foi morar na casa de Carlos Imperial, com os pais e o irmão dele. Imperial disse ao cantor que ele devia perder o forte sotaque e que mudasse o nome. Foi escolhido, então, o nome Fábio.

Logo a seguir, foram para o estúdio para Fábio gravar. A música escolhida foi "Lindo Sonho Delirante", para a faixa A, por causa do polêmico disco lançado pelos Beatles e que tinha a música "Lucy in the sky with diamonds", acompanhada pelo conjunto "The Fevers". Do outro lado do disco, foi gravada a canção "O Reloginho".

O compacto não fez o sucesso esperado, mas Fábio conseguiu apresentar-se em todos os programas de televisão da época. Ninguém conseguia entender como a censura permita que essa música fosse cantada em quase todos os programas de rádio e todos da televisão.

Seis meses depois, Fábio gravou o segundo disco que foi lançado quando Carlos Imperial estava preso pela ditadura militar porque ele tinha mandado um postal com uma situação meio constrangedora: sentado no vaso, desejando feliz Natal para os militares.

Naquela mesma época, Fábio compôs duas músicas em parceria com o irmão de Carlos Imperial, Paulo Imperial: "Stella" e "Socorro, Nosso Amor Está Morrendo", que foi gravada pelo Wanderley Cardoso.

Inicialmente, a música foi composta como "Marisa", ex-namorada de Fábio. Mas, Paulo Imperial sugeriu a troca do nome para "Stella".

A música foi gravada em um compacto com o Maestro Mazola. A gravadora sugeriu, então, que a música tivesse um som espacial, com um eco, para aproveitar o momento da chegada do homem na lua. A música foi um grande sucesso no Brasil inteiro.

Foi um marco inclusive na fonografia nacional, porque nunca tinha sido gravada uma música com eco e mais pretensiosa em comparação com as músicas da Jovem Guarda que tinham letras bem infantis.

O primeiro LP gravado por Fábio foi "Frutos de Mi Tierra" com músicas que falavam de suas origens hispânicas. Nessa época, usou cabelos compridos, barba e estava muito voltado para os problemas da América Latina. Nesse primeiro disco, tocaram, na guitarra, Hélio Delmiro, um dos maiores guitarristas do mundo. Na bateria, foi o Mamão, que era do Azimuth. No teclado, foi o Mauro Motta, que trabalha com Roberto Carlos há muitos anos.

No auge do sucesso da música "Stella", Fábio foi convidado para fazer uma fotonovela com a cantora Vanusa. Na época, ela namorava com o cantor Wanderley Cardoso.

Fábio e Vanusa foram para Santos, passaram uma semana para fazer aquele trabalho. Terminadas as fotos, Fábio voltou para o Rio de Janeiro e Vanusa para São Paulo, mas continuaram a se falar porque Vanusa se sentia atraída por ele. Fábio, então, disse a ela que, se um dia terminasse o noivado, procurasse por ele.

Pouco tempo depois, Vanusa terminou o noivado, brigou com a família e mudou-se para o Rio de Janeiro. Iniciaram, então, um romance. Fábio escreveu para ela a música "Prelúdio para os Olhos de Vanusa". Depois, produziu o segundo disco da segunda.

Em 1970, Fábio participou do Festival de MPB, defendendo a música "Encouraçado", de Sueli Costa e Tite de Lemos, que falda da história de um exilado político brasileiro em Paris. A música ficou em terceiro lugar no Festival e Fábio foi classificado como melhor intérprete.

Mas, a partir dessa música, Fábio passou a ser considerado cantor de protesto e ficou na mira da censura e do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).

Aquele Festival consagrou o soul no Brasil. Toni Tornado ficou em primeiro lugar, Ivan Lins em segundo e Erlon Chaves em quarto com a música "Eu Quero Mocotó".

Na verdade, Erlon Chaves havia conquistado o sexto lugar na classificação e Fábio o primeiro. Só que o Boni, segundo conta Fábio, achou que teriam problemas com a Censura Federal caso a classificação fosse divulgada daquele jeito e sugeriu que Toni Tornado para que o festival não ficasse marcado pelo contexto político.

Quando foi anunciada a classificação, Fábio recebeu vaias de todo o Maracanã porque as pessoas tinham ficado insatisfeitas porque preferiam a música de Taiguara, que defendeu a música "Universo no Teu Corpo" que havia ficado em décimo lugar.

No dia seguinte, o jornal "O Globo" tinha como manchete "Encouraçado afunda em mar de vaias de um povo que ama o seu país".

Fábio, com receio da polícia da Censura Federal, refugiou-se em São Paulo, na casa do Eduardo Araújo e Silvinha que eram amigos do delegado Sérgio Paranhos Fleury, delegado integrante do DOPS. Lá, ninguém iria procurá-lo.

Em seguida, o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou na primeira página que Fábio havia sido preso por tráfico de drogas. Depois, colocaram uma pequena errata, negando a informação.

Com isso, a carreira de Fábio acabou. Não era mais chamado por nenhum emissora de televisão, nem para fazer shows e seu casamento acabou. Foi quando, em 1973, Fábio decidiu ir embora para Paris.

Fábio retornou da França em 1975 porque ainda tinha um contrato para cumprir na Gravadora Continental. Gravou, então, "As Aventuras de Um Certo Capitão" e mais dois compactos. Quando acabou o contrato, foi para a EMI/Odeon, onde encontrou o produtor Augusto Cesar, e gravou "Venha", com letra de Paulo Sérgio Valle. A música foi tocada no programa "Fantástico", da Rede Globo, e marcou a volta de Fábio.

Em seguida, compôs diversas músicas com Tim Maia, Cassiano e Hyldon.

Atualmente, Fábio está reativando sua carreira, com projeto de escrever um livro sobre sua trajetória e de gravar um CD somente com cantoras.

Em 2008, Fábio lançou o CD "Meu Jovem Amigo".

Fábio assumiu como sobrenome a canção que o fez famoso e assina como Fábio Stella. O álbum, “Meu Jovem Amigo” tem repertório autoral e o título é uma homenagem a Tim Maia.

Faz shows com as canções novas além das já conhecidas pelo público, como “Socorro nosso amor está morrendo” (gravada por Wanderley Cardoso) e “Risos” (gravada por Tim Maia), além, claro, de “Stella”.

Fábio Stella é acompanhado pelos músicos Tinho Martins (sax e flauta), Paulo Roberto (baixo), Paulo Esteves (teclado), Cassius Theperson (bateria), Perinho Santana (guitarra) e Juan Ribeiro (percussão).

O cantor Fábio Rolón, também conhecido como Fábio Stella, esteve no programa Fala Ipiaú comentando uma nova e supreeendente etapa da sua carreira artística com o descobrimento do seu trabalho por um produtor norte americano. Joel Stones lançou no ano passado a coletânea Brazilian Guitar Fuzz Bananas via Los Angeles, com artistas de renome do lado B da Jovem Guarda brasileira, com expoentes como Serguei e Novos Baianos.

A canção de Fábio trazida a público na coletânea é "Lindos Sonhos Delirantes", de 1967. A coletânea obteve elogios de críticos musicais na revista americana Wired, no jornal inglês The Guardian e o nova iorquino Village Voice e deixou Fábio de novo como bola da vez no revival dos anos sessenta da cultura brasileira. A pergunta ficou no ar: Fábio seria o novo Tom Zé ( que foi redescoberto pelo cantor norte americano David Byrne nos anos noventa ) ?

Marido de Popó Muniz, Fábio hoje reside na fazenda Capim, na região de Barra do Rocha e se diz empolgado com a novidade. Enquanto isso, ele está reivindicando do Governo do Estado a instalação de energia elétrica na sua propriedade rural.

Fontes: Revista The Freakium; Canal Pop.

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