sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Geraldo Vandré

O cantor e compositor Geraldo Vandré, nome artístico de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, nasceu em João Pessoa, PB, em 12 de Setembro de 1935.

Geraldo Vandré
Apresentou-se num programa de calouros na Rádio Tabajara de João Pessoa quando tinha 14 anos. Em Nazaré da Mata, onde cursava o ginásio em internato, participou de alguns shows organizados para as missões.

Geraldo Vandré foi para o Rio de Janeiro, RJ, em 1951, e, naquele mesmo ano, se apresentou no programa de calouros de César de Alencar, no qual foi desclassificado. Aproximou-se, então, de Ed Lincoln, que nessa época tocava com Luís Eça, na boate do Hotel Plaza, tentando cantar nos intervalos das apresentações.


Geraldo Vandré
Em 1955, com o pseudônimo de Carlos Dias, defendeu a canção "Menina", de Carlos Lyra, num concurso musical promovido pela TV-Rio. Mais tarde, o encontro com o folclorista Valdemar Henrique abriu-lhe a oportunidade de se apresentar no programa da Rádio Roquete Pinto, usando o nome Vandré, que resultou da abreviatura do nome do pai, José Vandregisilo. Cursou a Faculdade de Direito, do Rio de Janeiro, época em que participou do Centro Popular de Cultura, da extinta União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu primeiro parceiro, Carlos Lyra. Passou, então, a interessar-se mais pela composição, abandonando a idéia de tornar-se cantor. Fez a letra da música de Carlos Lyra "Quem Quiser Encontrar o Amor", gravada por ele em abril de 1961 em 78 rpm, na RGE, e, em 1962, por Carlos Lyra no LP "O Sambalanço de Carlos Lyra", pela Philips. Essa música foi incluída no episódio "Couro de Gato" do filme "Cinco Vezes Favela", trabalho produzido pelo Centro Popular de Cultura. Em 1962, Geraldo Vandré apresentou-se no Juão Sebastião Bar, em São Paulo SP, iniciando trabalhos com Luís Roberto, Baden Powell e Vera Brasil. Nesse mesmo ano gravou com Ana Lúcia o "Samba em Prelúdio", de Baden Powell e Vinícius de Moraes, pela Áudio Fidelity, com grande sucesso, e compôs com Carlos Lyra o samba "Aruanda". Em dezembro de 1964, gravou na Áudio Fidelity seu primeiro LP, apresentando a toada "Fica Mal com Deus", além de "Menino das Laranjas", de Téo de Barros. Em 1965, defendeu "Sonho de um Carnaval", de Chico Buarque, no I FMPB, da TV Excelsior de São Paulo. No mesmo festival, inscreveu sua composição "Hora de Lutar", que não se classificou. Essa música foi gravada, no mesmo ano, num LP homônimo. Nesse período, musicou o filme de Roberto Santos "A Hora e a Vez de Augusto Matraga". No ano seguinte lançou pela Som Maior o LP "Cinco anos de Canção", que incluía "Pequeno Concerto que Virou Canção", "Canção Nordestina" e "Rosa Flor", com Baden Powell. Venceu em São Paulo o FNMP, da TV Excelsior, com a música "Porta-Estandarte", com Fernando Lona, defendida por Tuca e Airto Moreira, assinando depois contrato com a Rhodia para excursionar pelo Nordeste com o Trio Novo, formado por Téo (violão), Airto Moreira (viola caipira) e Heraldo (percussão). Nesse mesmo ano de 1966, Geraldo Vandré venceu ainda o II FMPB, da TV Record, de São Paulo, com "Disparada", com Téo de Barros,, na interpretação de Jair Rodrigues, do Trio Novo e do Trio Maraia, empatando com "A Banda", de Chico Buarque. Obteve, ainda, o segundo lugar no I FIC, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com "O Cavaleiro", parceria com Tuca, que também foi interprete. Em 1967, a TV Record, de São Paulo, concedeu-lhe um programa próprio, "Disparada", com direção de Roberto Santos.

Geraldo Vandré
Inscreveu "Ventania", com Hilton Accioly, no III FMPB, que foi desclassificada, e "De Serra, de Terra e de Mar", com Téo de Barros e Hermeto Pascoal, no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, que também não obteve classificação. Nesse ano conseguiu sucesso com "Arueira" e com o frevo "João e Maria", com Hilton Accioly. No mesmo período compôs, a convite dos padres dominicanos de São Paulo, a "Paixão Segundo Cristino", alegoria da crucificação de Cristo num contexto nordestino. Participou, também, do programa "Canto Geral", depois "Canto Permitido", da TV Bandeirantes, de São Paulo.

Geraldo Vandré - Festival da Record / 1968
Em 1968, Geraldo Vandré gravou o LP "Canto Geral" pela Odeon, com Maria Rita, "O Plantador", com Hilton Accioly, e músicas suas desclassificadas em festivais. Participou, ainda, do IV FMPB, com "Bonita", com Hilton Accioly. A música foi apresentada duas vezes, pois se desentendera com o parceiro, rompendo com o Trio Maraia. Nas eliminatórias para o III FIC, em São Paulo, causou impacto com a apresentação de "Pra Não Dizer que Não Falei de Flores", ou "Caminhando". Defendeu-a no festival com o Quarteto Livre, integrado por Naná (tumbadora), Franklin (flauta), Nelson Ângelo (violão) e Geraldo Azevedo (violão e viola), tendo-se classificado em segundo lugar. A música teve grande êxito, tornando-se uma espécie de hino estudantil, mas teve seu curso interrompido pela censura.

Geraldo Vandré
Geraldo André esteve no exílio, inicialmente no Chile (1968), onde compôs a música "Desacordonar", com que venceu um concurso, enquanto "Caminhando" se tornava sucesso.

Obrigado a deixar o país, pois se apresentara em televisão como profissional sem a devida licença, Geraldo Vandré seguiu para a Argélia, onde assistiu ao Festival Pan-Africano, viajando, depois, para a então Republica Federal da Alemanha, ocasião em que gravou alguns programas para a televisão da Baviera. Esteve na Grécia, Áustria, Bulgária, cantando em povoados do interior. Na Itália, Sérgio Endrigo regravou músicas suas. Em Paris, França, remontou com um grupo de artistas brasileiros a "Paixão Segundo Cristino", na igreja de Saint-Germain des Pres, na Páscoa de 1970. Trabalhou com um novo tipo de composição, montada apenas com assobios e sons de violão, com forte ritmo nordestino. Gravou o LP "Das Terras de Benvirá", lançado no Brasil pela Philips em 1973, com "Na Terra Como no Céu, "Canção Primeira" e "De América". Ainda em 1973 gravou apresentações para o programa de Flávio Cavalcanti e para o Fantástico, da TV Globo, mas foram censuradas.


Geraldo Vandré
Em 1982, em Presidente Stroessner, no Paraguai, Vandré apresentou-se em um show, rompendo silêncio de 14 anos. Em março de 1995 apresentou-se no Memorial da América Latina, em São Paulo, no concerto realizado pelo IV Comando Regional (CONAR), em comemoração a Semana da Asa. Na ocasião, um coral de cadetes lançou sua música "Fabiana", uma homenagem a FAB.

Em 1997, o Quinteto Violado lançou o CD "Quinteto Violado Canta Vandré" (selo Atração), incluindo antigos sucessos e apenas uma música inédita: "República Brasileira". Ainda em 1997, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho regravaram "Disparada" e "Canção da Despedida" no CD "Grande Encontro 2".


Geraldo Vandré
Geraldo Vandré vive em um auto-exílio de 40 anos. Vive sozinho em um apartamento no centro de São Paulo. Não tem filhos e são poucos os amigos. No entanto, Vandré diz levar uma vida super ocupada para um senhor de mais de 70 anos de idade. Tem vários projetos musicais e confessa desconhecer o que a MPB tem produzido porque só ouve música clássica.

Geraldo Vandré com Carlinhos Lyra / 2007
O músico, em uma das raras entrevistas concedidas em 2000, revelou sua paixão por carros e principalmente por aviões, que o levou a escrever uma canção em homenagem à FAB (Força Aérea Brasileira), "Fabiana", no fim da década de 80, rompendo um silêncio de várias décadas sem compor. Sobre a atual e controvertida lua-de-mel com os militares, que em 1968, em pleno AI-5, ficaram furiosos e censuraram "Caminhando" (Pra Não Dizer que Não Falei de Flores), sua canção mais emblemática, Vandré não conseguiu dar uma explicação muito convincente. "Caminhando não era uma canção política. Era um aviso aos militares: ‘Olha gente, desse jeito não dá mais’. Eles (militares) nunca tocaram um dedo em mim".

Geraldo Vandré
Contou, também, que compõe muito no seu tempo livre e não tem pressa para gravar discos. Compôs a maioria das suas canções em espanhol.

Geraldo Vandré / 2010
Fontes: Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira; Art Editora e PubliFolha; MPB Net, Cliquemusic.


                                                                                 Geraldo Vandré - "Aroeira" - Festival da Record / 1967


                                                                         Geraldo Vandré - "Prá Não Dizer Que Não Falei das Flores" / 1968


                                                                                   Geraldo Vandré - "Porta Estandarte" / 1966


2 comentários:

  1. Eles (militares) nunca tocaram um dedo em mim".infelizmente nao eh verdade,fizeram torturas chamadas lavagem cerebral.....virou isto ai....

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  2. Encontrar-me com esse senhor, um dia qualquer, trocar duas palavras talvez, seria simplesmente a glória!

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