quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Maricenne Costa

Maria Ignez Senne Costa, conhecida artisticamente como Maricenne Costa, nasceu em Cruzeiro/SP, no dia 3 de dezembro de 1938.

Em 1958, venceu o concurso "Voz de ouro ABC" (TV Tupi). Em seguida, assinou um contrato com a emissora para apresentar um programa exclusivo em horário nobre. Ainda nesse ano, lançou seu primeiro 78 rpm, contendo as músicas "Quem sou eu?" (Dolores Duran) e "O amor morre no olhar" (Guerra Peixe), recebendo o prêmio Tupiniquim da TV Tupi como Revelação do Ano.

Em 1959, gravou um 78 rpm com as faixas "Olhe o tempo passando" (Dolores Duran) e "Silhuetas" (Ted Moreno).

No ano seguinte, foi contratada pela TV Record de São Paulo.

Em 1961, apresentou-se, com Pedrinho Mattar e Manfredo Fest, na casa noturna Cambridge (SP), e com Walter Wanderley, no Captain's Bar (SP). Nesse mesmo ano, viajou para Lisboa, atuando, com o Plínio Metropolo Quarteto, em programas de rádio e televisão, no Restaurante Galo e nas boates Maxim's e Cascais, onde cantou para o rei Juan Carlos da Espanha.

Em 1962, lançou um 78 rpm com as músicas "O bolo" (Walter Santos eTereza Souza) e "Sonha, canta, vive" (Vera Brasil).

No ano seguinte, gravou, com o trio de César Camargo Mariano, um compacto duplo que incluiu "Garota de Ipanema", "Ah se eu pudesse", "Crediário do amor" e "Bossa na praia".

Em 1964, registrou, em compacto simples, pela primeira vez, uma música de Chico Buarque: "Marcha para um dia de sol".

No ano seguinte, apresentou-se no "Show da Balança", do Colégio Mackenzie, produzido por Manoel Poladian, que resultou na gravação da faixa "Amanhã", de Walter Santos e Tereza Souza.

Em 1966, viajou para os Estados Unidos, realizando shows em Minneapollis, Los Angeles e Nova York, ao lado do trio de Walter Wanderley. Foi citada pela revista "Downbeat" e ouvida por Tony Bennet, Judy Garland e Eddie Fischer.

No ano de 1967, gravou "Carolina" (Chico Buarque) e "Margarida" (Gutenberg Guarabyra), músicas vitoriosas no Festival Internacional da Canção, com produção de Agostinho dos Santos.

Ainda na década de 1960, participou dos seguintes festivais: Festival Brasil Canta no Rio, em 1965, com "Moda" e "Até mais vê" (c/ Carlos Castilho e Vitor Martins), tendo sido contemplada com o prêmio de Melhor Intérprete; Festival Excélsior, em 1966, com "Inaê" (c/ Vera Brasil), classificando-se em segundo lugar; Festival Internacional da Canção (TV Globo), em 1967, com a música "Todas as coisas do mundo" (c/ Pingarilho e Marcos Vasconcelos); e Festival da Record (1968), interpretando, com o Grupo Folclórico de Solano Trindade, uma música de C. Castilho e Chico de Assis.

Em 1970, apresentou-se, com o Som Imaginário, no cenário da peça "O Balcão", no Teatro Ruth Escobar, transformado em programa da TV Cultura.

Trabalhou como atriz, na década de 1970. Atuou nos espetáculos " Medo de vivo é solidão" (Teatro de Bolso), com direção de Sebastião Milaré, "Morte e vida Severina", "Adeus fadas e bruxas" e "Donana". Fez cursos de teatro e de corpo com Eugênio Kusnet, Alberto D'Aversa e Marika Gidali.

Em 1971, formou-se pela PUC/SP em Serviço Social.

Em 1974, integrou o Grupo Eles, juntamente com Cristina Pereira, Ricardo Blat, Thereza Freitas e Rinaldo Genes, participando do show "Quem vai querer comprar bananas".

De 1976 a 1978, retomou sua carreira solo de cantora, com o show "Tenho sede", que inaugurou o Teatro Markantti, apresentando-se, em seguida, no show "Interiores", no Teatro Anchieta, com direção de Jacob Hillel, e em outros para crianças da Febem, num projeto da Secretaria de Estado da Cultura.

No início da década de 1980, gravou seu primeiro LP, "Maricene Costa", interpretando músicas de Paulinho Nogueira, Antonio Adolfo e Frederyko. O disco contou com a participação de Halter Maia, Sérgio Sá, Antonio Adolfo e Grupo Medusa,

De 1981 a 1985, apresentou-se nos seguintes shows: "Mulher, vai cavar a nota", com sambas falando sobre a mulher e o trabalho, com pesquisa de José Ramos Tinhorão para simpósio feminista; "Fala poesia", com poemas musicados das poetas Olga Savary, Renata Pallottini e Hilda Hilst; "Estopim", no Centro Cultural de São Paulo; e "Não importa onde vá", com direção de Gilda Murray, no Teatro Sérgio Cardoso.

Gravou "Joana louca", no vinil da compositora e instrumentista Priscilla Ermell.

Em 1986, apresentou o show "Humano/Urbano". Ainda nesse ano, participou da equipe da diretora e atriz Míriam Muniz, como orientadora vocal do Curso para Cantores e Atores realizado na Funarte (SP).

Em 1987 e 1988, participou, como convidada especial, do "Epifânia", espetáculo multimídia da Bienal Nacional, dirigido por Fernando Carvalhaes, cantando a 5ª Bachiana de Villa-Lobos e interpretando diversos personagens.

Apresentou-se nos shows "Rosa de maio" e "Muito prazer em conhecer", sobre Custódio Mesquita, realizados na Funarte.

Em 1992, lançou o LP "Correntes alternadas", realizando show no Teatro Crowe Plaza (SP) e em em vários estados brasileiros.

Atuou como pesquisadora do Museu da Imagem e do Som no projeto "Os primeiros ritmos gravados no Brasil".

Apresentou-se em shows no Masp e no Teatro do Sesi (SP).

De 1997 a 1998, apresentou-se em diversas casas noturnas de São Paulo e em outras capitais do país com o show "Os sábios costumam mentir", com poesias de Waly Salomão musicadas por Gilberto Gil, Jards Macalé, Lulu Santos, Caetano Veloso e João Bosco, entre outros.

Em 1999, lançou o CD "Como tem passado!!", com arranjos e instrumental de Izaías & Chorões, a partir de uma pesquisa de José Ramos Tinhorão sobre os primeiros gêneros musicais gravados no Brasil (de 1902 a 1929). Esse trabalho de pesquisa recebeu prêmio de qualidade da Comissão Nacional para as Comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil, Palácio Itamarati, em abril de 1999.

Em 2000, realizou o show "Como tem passado!!", acompanhada por Izaías Bueno (bandolim), Israel Bueno (violão sete cordas), Dudáh Lopes (piano e teclado), Gerson Araújo (clarinete, sax e flauta) e Eraldo (percussão), com direção artística e musical de Dyonisio Moreno e arranjos de Israel Bueno e Dyonísio Moreno, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo (SP).

No ano de 2004 lançou pela gravadora Tratore o cd "Movimento Ciruclar", que traz músicas inéditas de Fernanda Porto, Rosa Passos, Moisés Santana e Johnny Alf, além de "Marcha para um Dia de Sol", primeira música gravada de Chico Buarque, lançada por ela na década de 60. Destaques para as participações especiais dos cantores Germano Mathias e Regina Machado e do pianista Antonio Adolfo.

Em 2009 voltou ao mercado fonográfico pela Lua Music, com disco em que canta somente músicas de compositores paulistas ligados em maior ou menor grau à Bossa Nova. O time de autores inclui Eduardo Gudin, Théo de Barros, Toquinho e Paulinho Nogueira, entre outros. Intitulado maricenne.cost@bossa.sp, o CD concede uma licença geográfica para compositores como Geraldo Vandré, Johnny Alf e Walter Santos, que, embora não sejam paulistas, tiveram boa acolhida em São Paulo no auge bossa-novista. Gravado somente com a voz de Maricenne e o violão de Marcus Teixeira, o CD conta com a participação de Alaíde Costa na música "Tristeza de Amar", parceria de Vandré com Luiz Roberto. Fernanda Porto e Eduardo Gudin também figuram entre os convidados do disco.

Detalhe: Maricenne Costa esteve entre os nomes convidados por João Gilberto - através de nota publicada em coluna de um jornal de São Paulo - para assistir a um dos dois shows que o cantor fez em agosto de 2008 no Auditório Ibirapuera.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

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