quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Edy Star

Edy Star, nome artístico de Edivaldo Souza, nasceu em Juazeiro/BA, no dia 10 de janeiro de 1938.

O cantor, ator e dançarino mudou-se com a família para Salvador com 1 ano de idade. Desde criança tinha duas paixões: a leitura e a música. Em sua casa, costumava ouvir principalmente as rádios Nacional e Mayrink Veiga (ambas do Rio de Janeiro), além dos programas locais da Rádio Sociedade da Bahia. Seu pai costumava levá-lo aos estúdios desse programa, que era comandado pelo professor e jornalista Adroaldo Ribeiro Costa. Quando chegava em casa, improvisava microfone e palco no quintal, e cantava com seus dois irmãos.

A primeira experiência de Edy com o palco aconteceu aos 13 anos de idade. Seu pai o observava nas sessões improvisadas de cantoria e o inscreveu no programa "A Hora da Criança". Durante os ensaios, realizados no Passeio Público de Salvador, teve também aulas de teatro.

Começou sua carreira no início dos anos 1960, ainda em Salvador como ator amador. Em seguida, entrou para a Companhia Baiana de Comédias (CBC), percorrendo o interior baiano e alguns outros estados nordestinos, com peças teatrais. Foi indicado, em Recife, como um dos melhores atores itinerantes da região e acabou contratado em 1967 pela Prodarte para participar do musical Memórias de 2 Cantadores, atuando junto com Teca Calazans, Naná Vasconcellos e Geraldo Azevedo. A peça ganhou diversos prêmios no Festival de Teatro de Pernambuco (1968): Melhor Musical, Melhor Figurino e Melhor Conjunto.

Entre 1968 e 1971, tentou iniciar carreira de produtor artístico na TV Jornal do Comércio, de Recife; e na TV Itapuã, de Salvador. Ao iniciar sua carreira de cantor nas rádios Sociedade da Bahia e Cultura da Bahia, conheceu o cantor, na época vocalista do grupo Os Panteras, Raul Seixas. A relação de Edy e Raul não era muito boa no início, pois concorriam pelo mesmo espaço nas rádios. Entretanto a amizade se estreitou com o tempo.

Em 1970, Raul Seixas foi contratado como produtor musical pela gravadora Columbia (CBS Discos), do Rio de Janeiro, e levou Edy com ele. O primeiro trabalho da, então recém-formada parceria, foi a gravação de um compacto de Edy (que ainda não havia adotado "Star" como sobrenome). As músicas do disco foram compostas e produzidas por Raul Seixas: No lado A, "Aqui é quente, bicho"; e no lado B, "Matilda". Em 1971 Edy ganhou notoriedade nacional, ao gravar o disco "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10", junto com Sérgio Sampaio, Raul Seixas e Míriam Batucada. O disco, lançado pelo CBS, e produzido por Raul Seixas e Sérgio Sampaio, foi inspirado no ábum dos Beatles "Sargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band". Esse lançamento rendeu apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A partir de 1972, passou a cantar em cabarés do Rio de Janeiro e adotou o sobrenome artístico "Star". Edy Star chamou a atenção, nessa época, do jornal "O Pasquim", que o elevou à condição de pop-star. Atuou também em boates da zona sul carioca, como a Number One, e em teatros de revista, além de temporadas na boate Up's, em São Paulo. Foi contratado pela gravadora Som Livre, e gravou pela mesma, em 1974, o disco Sweet Edy, com composições feitas especialmente para ele, por nomes consagrados da música popular brasileira, entre os quais Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Foi contratado também pela Rede Globo de Televisão e participou de programas musicais na extinta Rede Tupi, entre 1973-1976.

Dirigiu, escreveu e participou de várias peças de teatro, dentre as quais "A Gargalhada do Peru", que percorreu vários estados brasileiros, entre 1986 e 1988; e "O Belo Indiferente", de Jean Cocteau. Essa última levou Edy, em 1992, ao Festival de Teatro em Primavera de Madri, Espanha. Lá foi convidado com seu grupo a participar das comemorações dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992). No mesmo ano, foi contratado pelo Cabaré Chelsea, em Madri, como diretor de shows, passando a rersidir naquele país.

Em 2009, participou de homenagem a Raul Seixas no show "Toca Raul", que foi apresentado no evento "Virada Cultural", em São Paulo.

Em 2011, a gravadora Joia Moderna relançou o seu disco de maior sucesso, "Sweet Edy", gravado em 1974. Nesse trabalho, Edy interpretou canções como "Edith Cooper", de Gilberto Gil, "O conteúdo", de Caetano Veloso, e "Claustrofobia", de Roberto Carlos.

Também fez carreira como artista plástico, e tem no currículo mais de 30 exposições nos Estados Unidos e Europa, sendo 16 individuais, e quatro Bienais. Seu penúltimo catálogo de obras tem prefácio escrito pelo escritor Jorge Amado.

Retornou ao Brasil e entrou em um processo depressivo. Recuperado retornou o trabalho artístico e vem batalhando por espaços na mídia, Reside atualmente em São Paulo, no bairro da Bela Vista.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

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