quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Célia e Celma

As irmãs Célia e Celma nasceram em Ubá/MG, no dia 2 de novembro de 1952.

O pai, Celidonio Mazzei, antes de se tornar um renomado fotógrafo da região, foi músico; tocava bombardino na banda de rua local.

Aos cinco anos de idade, encararam um público pela primeira vez, em um concurso promovido por um circo armado na cidade. Levaram o primeiro lugar, cantando em dueto - e em italiano - a música "Babbo non vuole". O pai sempre as ensinou canções de sua saudosa Itália.

Na Rádio Educadora, no programa “A Hora do Guri”, as pequenas cantoras se tornaram a grande atração, cantando ao vivo os “jingles” do refrigerante local, o "Abacatinho".

Cresceram em Ubá no meio de uma família numerosa - com mais nove irmãos - em uma casa com um grande quintal. Mas, a grande aventura era subir nas árvores do pomar vizinho - da família do compositor Ary Barroso, para “pegar” as frutas. Com barro, no quintal, gostavam de fazer fogão e panelinhas, brincando de cozinhar. Ainda no terreiro, montavam os cenários dos teatros que elas mesmas criavam, exibindo-se para os amiguinhos. E com ingresso pago! Essas apresentações e as novelas na rádio, foram as primeiras experiências como atrizes.

Em virtude da formação religiosa que receberam, participaram ativamente das encenações litúrgicas, do coro da igreja – cantando inclusive em latim - e do coral do Colégio Sacrè-Coeur de Marie, onde estudaram e se formaram professoras. Nos intervalos das aulas, criaram o grupo instrumental “Garotas”, sucesso em toda a região. Celma tocava baixo acústico e percussão; Celia, bateria, tendo aulas em Juiz de Fora com Miltinho, que atualmente integra o Quinteto Onze e Meia, do Jô Soares.

No colégio, com as freiras francesas e com a mãe, habilidosa na costura, aprenderam o bordado, o “rabo-de-gato” e outras artes. Do artesanato popular, a confeccionar bruxinhas de pano, petecas de palha de milho, papagaios (pipas) de papel de seda, os presépios de Natal.

Desde meninas, saiam a acompanhar as manifestações folclóricas de Ubá e arredores. Eram as Folias de Reis e do Divino, os Congados – estes, até hoje em atividade e com presença das irmãs, quando possível. Nas festas populares, lá estavam, dançando quadrilha no ciclo junino, observando os calangueiros e os tocadores de cateretê nos bailes da roça. Aprenderam os passos do catira e a reproduzir o desenho sonoro dos instrumentos de percussão típicos dessas festas. Desse convívio com o povo, recolheram algumas relíquias da literatura oral, como advinhas, lendas e “causos” do imaginário popular.

Um costume que havia na região era falar “de-trás-pra-frente”. Consiste em inverter as sílabas das palavras. Até hoje Célia e Celma se divertem conversando uma com a outra assim e até cantam algumas canções conhecidas nessa “língua”.

Deixaram a terra natal para continuar os estudos no Rio de Janeiro.
Escolheram o Instituto Villa-Lobos, onde se diplomaram em Licenciatura Musical. O catedrático de folclore, Edison Carneiro, foi quem as despertou para o conhecimento mais profundo do folclore brasileiro. Depois de formadas, chegaram a lecionar música para turmas de ensino médio, no Rio.

Enquanto completavam os estudos em Ubá, se apresentavam, esporadicamente, nas emissoras de TV do Rio de Janeiro.

Já no início da carreira profissional, foram presenteadas: trabalharam com nomes como Moacyr Franco, o pianista Luiz Carlos Vinhas e os diretores de shows Miéle e Bôscoli.

Conheceram o compositor Carlos Imperial, formando com ele, Ângelo Antônio e Gastão Lamounier Neto, o grupo vocal "A Turma da Pesada" - irreverente, alegre, uma revolução de comportamento, que fez um grande sucesso nos anos 70. Junto à cantora Clara Nunes, o grupo venceu o Festival de Música de Juiz de Fora, cantando a música "Mandinga", de Ataulfo Alves e Carlos Imperial.

Paralelamente, a dupla cantava em bailes, na orquestra do trombonista Ed Maciel e depois no conjunto do pianista Dângelo. Ainda achavam tempo para os estudos: foi quando se diplomaram em Licenciatura Musical, no Instituto Villa-Lobos, no Rio.

Embarcaram para uma temporada na casa de shows "Saci Pererê", em Tóquio, Japão. Foram seis meses cantando música popular brasileira. A marcha brasileira “Taí”, de Joubert de Carvalho, teve uma versão em japonês, feita especialmente para elas.

No retorno para o Brasil, atuaram com destaque na então exuberante noite de São Paulo, em casas que fizeram história como "Stardust", "Regine's" e "Viva Maria". No repertório, grandes compositores da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso e ainda soltavam as vozes em idiche, italiano, espanhol e inglês.

Nos anos 80, os também gêmeos e cartunistas Paulo e Chico Caruso as convidaram para o espetáculo "Cromossomos", de humor e música.

Em 1984, uma experiência marcante: dividiram o palco com o grande cantor Cauby Peixoto, no espetáculo "Dance com Cauby", em duas temporadas no Rio, uma no restaurante "Velho Galeão" e depois no "Asa Branca". A crítica premiou o show como o melhor do ano e na sequência, o mesmo foi apresentado em várias capitais do país.

Em maio de 1986, pegaram novamente a estrada, para o norte e nordeste do Brasil, com o excelente intérprete Emílio Santiago, dentro do "Projeto Pixinguinha".

Em 1987, gravaram o primeiro disco solo. O repertório, voltado para suas raízes interioranas, tem toadas, guarânias, valseados, rasqueados.

Desde então, fixaram residência em São Paulo, passando a se dedicar ao estudo e à difusão da música regional, em seus diversos estilos, e ao folclore nacional.

Em 1988, foram à Brasília levar ao então Ministro da Cultura, prof. Celso Furtado, um projeto de criação do "Museu de Imagens e do Som do Sertão". Receberam dele total apoio, mas devido às mudanças políticas e a outras dificuldades em viabilizá-lo, está temporariamente arquivado.

Em novembro de 90, Célia e Celma receberam o convite da TV Manchete para atuarem como atrizes e cantoras na novela "A História de Ana Raio e Zé Trovão". As personagens formavam uma dupla caipira, "Luminada e Luminosa". Atuaram em toda a trama da novela –que foi sucesso nacional- fazendo muitas cenas com números musicais ao vivo.

Em 1994, lançaram pela Editora Nova Fronteira, o livro "A Cozinha Caipira de Celia & Celma".

Em 1995, receberam em Belo Horizonte, das mãos do prefeito Patrus Ananias, o título "Embaixador do Centenário", pelo trabalho de resgate dos variados segmentos da cultura mineira.

Em 1997, concretizaram o projeto "Ary Mineiro", fruto de uma pesquisa sobre a obra de Ary Barroso, lançado em uma turnê, com um show dirigido por Myrian Muniz.

Em dezembro de 1997, receberam a Comenda Ary Barroso, da Câmara dos Vereadores de Ubá.

De 1988, o Canal Rural as convidou para apresentar um programa que mostrasse suas origens, cultura de raiz. Assim começou o “Programa Celia & Celma”, que permaneceu nove anos no ar, recebendo o melhor da música regional e caipira, nossos compositores, instrumentistas e cantores, além da riqueza e diversidade do nosso folclore.

Em 1998, outra experiência marcante: participaram do filme "O Viajante", do cineasta Paulo Cesar Saraceni, cantando a valsa "A Tristeza dos Sinos", de Ary Barroso, do CD "Ary Mineiro".

Em 2000, gravaram o CD "Brasil na Mesma Toada".

Em 2002 foi lançado internacionalmente o documentário “Carrego Comigo”, sobre gêmeos, do premiado cineasta Chico Teixeira, do qual fizeram parte.

Foram nomeadas membros da Comissão Nacional do Centenário de Ary Barroso e em 15 de janeiro de 2003 foi instituído o “Ano Ary Barroso”, em cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião, interpretaram com o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, “Aquarela do Brasil”, a música mais famosa de Ary.

Lançaram em novembro do mesmo ano, o livro de crônicas “Por todos os Cantos”, (Editora Ibrasa), ilustrado com fotos do pai, o fotógrafo Celidonio Mazzei. O prefácio do livro é do jornalista Sérgio Cabral e a apresentação foi escrita pelo Vice-Presidente da República, José Alencar Gomes da Silva.

Também uma experiência que muito as honrou, foi contracenar com o grande Ronald Golias no humorístico “Meu Cunhado”, do SBT, em 2004, poucos meses antes do seu falecimento.

Fazem parte do Fórum Paulista Permanente da Música, coordenando o grupo de trabalho Patrimônio e Pesquisa.

Depois de algum tempo recolhendo receitas e preciosidades do folclore alimentar da região onde nasceram, a Editora Senac SP editou o livro “Do Jeitinho de Minas”. Nele estão 165 dessas receitas e um brinde especial: um Cd com 15 receitas cantadas.

O livro recebeu na China o prêmio Gourmand World Cookbook Awards, como o melhor de culinária regional de 2006.

Célia e Celma continuam se apresentando em shows, principalmente em cidades do estado de São Paulo.

Fonte: Site oficial das cantoras.

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