quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ritchie

Richard David Court, conhecido artisticamente como Ritchie, nasceu em Beckenham, no condado de Kent, no Sul da Inglaterra no dia 6 de março de 1952.

Durante a infância e adolescência, por ser filho de militar, morou em diversos países como Quênia, Dinamarca, Italia, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia, além de várias localidades da Inglaterra.

Estudou em colégios internos, primeiro Tormore School (dos 7 aos 13 anos), Sherborne School (dos 13 aos 19 anos) e depois cursou a faculdade de literatura inglesa na Universidade de Oxford (Magdalen College).

Em 1972, largou os estudos para tocar flauta numa banda iniciante de Londres chamada Everyone Involved com mais de 20 integrantes.

Gravaram um LP, Either/Or, no mesmo ano, em colaboração com outros artistas londrinos, para contestar os planos de modificação de Piccadilly Circus, no West End da capital. Algumas centenas de cópias foram prensadas e distribuidas gratuitamente na rua. Havia até um selo no disco com os seguintes dizeres:
- Se você pagou por isto, você foi roubado!

Durante as gravações do disco do Everyone Involved, o guitarrista Mike Klein o apresentou a um grupo de colegas brasileiros, Lucinha Turnbull, Sandra Werneck, Rita Lee e Liminha, estes dois últimos integrantes da banda Os Mutantes, que estavam visitando a Inglaterra para comprar instrumentos. Surgiu desse encontro uma forte amizade e o convite para conhecer o Brasil e eventualmente tocar com eles.

No final de 72 embarcou, com armas e bagagens, para o Brasil onde acabou formando, em São Paulo, a banda Scaladácida com Fabio Gasparini (guitarras), Sérgio Kaffa (baixo), e Azael Rodrigues (bateria).

A banda acabou ficando bastante conhecida em São Paulo onde fazia shows ao vivo com frequência. Surgiu a possibilidade de um contrato com a gravadora Continental, mas ainda sem um visto regularizado, Ritchie não pode assiná-lo. Com a dissolução da banda no final de 73, decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro com a mulher, a arquiteta e estilista carioca, Leda Zuccarelli.

Deu muitas aulas de inglês (particularmente e, mais tarde, na Escola Berlitz). Dentre os alunos daquela época estavam o multi-instrumentalista, Egberto Gismonti, a cantora, Gal Costa e o saxofonista, Paulo Moura. No caso desse último , dava aulas de inglês em troca de aulas de flauta.

Inicialmente fazendo backing vocais e tocando flauta, participou do grupo de jazz-rock Soma liderado pelo baixista Bruce Henry. O percussionista da banda era Alyrio Lima, (que chegou a gravar, anos depois, quando já morava nos EUA, com o grupo fusion, Weather Report, com o trompetista, Miles Davis e com o guitarrista, John McLaughlin).

Logo depois entrou para A Barca do Sol, como flautista, (ao lado dos violonistas, Nando Carneiro e Muri Costa, o percussionista, Marcelo Costa e o violoncellista e arranjador, Jaques Morelenbaum).

Em determinado momento sugeriu que cantasse, em vez de tocar flauta, e foi prontamente despedido da banda! Afinal, onde já se viu um gringo cantando MPB em português? Um absurdo!

Em 1975, aceitou um convite para ser cantor e flautista na banda progressiva carioca, Vímana.

Inicialmente foram contratados para acompanhar a atriz Marilia Pêra na peça musical A Feiticeira. Ritchie tocava flauta. O Vímana utilizava o teatro às tardes para ensaiar exaustivamente. Os outros integrantes da banda eram o guitarrista, Lulu Santos, o baterista, Lobão, o baixista, Fernando Gama e o tecladista, Luiz Paulo Simas. Tocavam com frequência no Museu de Arte Moderna e principalmente nos teatros do Rio, conquistando, aos poucos, um público fiel ao estilo híbrido de rock-jazz-pop-samba-funk progressivo.

Em 1977, foi lançado o único compacto simples do grupo, "Zebra", pelo selo Som Livre. O LP foi arquivado pela gravadora que alegava não haver público para o rock no Brasil.

No final dos anos 70, Vímana chegou a ensaiar, como banda de apoio, com o tecladista suiço, Patrick Moraz, (ex-Yes, ex-Moody Blues etc.). Insatisfeito com a situação, Lulu deixou a banda para se dedicar a sua carreira solo.

Com a saída do Lulu, a banda se dissolveu e cada integrante foi para seu lado. Ritchie voltou ao ensino de inglês em tempo quase integral, tocando música por prazer.

Em 1980, Jim Capaldi, (baterista e letrista da banda pioneira inglesa, Traffic) o convidou para voltar à Londres, onde participou, como vocalista e arranjador, de seu álbum solo, "Let the Thunder Cry". De repente Ritchie se encontrou trabalhando ao lado de cobras como Steve Winwood (Traffic), Andy Newmark (John Lennon etc.), Simon Kirke (Free, Bad Company), Reebop Kwaaku Bah (Traffic) e Mel Collins (King Crimson).

Quando voltou ao Brasil, decidiu procurar novamente o Bernardo Vilhena, que havia feito algumas letras para a extinta banda, Vímana. Começaram a compor juntos as músicas de um eventual disco solo, que, pela primeira vez, seria cantado inteiramente em português.

Liminha, nessas alturas, já era seu aluno de inglês e produtor na Warner. Ele o ajudou a fazer, em 82, a primeira demo em 4 canais da música "Menina Veneno".

Empolgado com o resultado, mas sem conseguir despertar ainda o interesse de nenhuma gravadora, Ritchie se juntou a Liminha e outros músicos e produtores amigos para gravarem, em apenas 8 canais, uma fita para o selo independente, Vinyl. Na faixa "Vôo de Coração", teve o apoio, nas guitarras, do seu amigo de outros carnavais, Steve Hackett, recém-saído da banda Genesis. A fita resultante caiu, por acaso, nas mãos de um alto executivo do selo Epic (CBS), que resolveu comprar a briga e lançar, tentativamente, a música "Menina Veneno", em fevereiro de 1983. Para a surpresa de todos, o compacto simples se tornou um dos maiores fenômenos da industria, alcançando em poucas semanas a marca de mais de meio milhão de cópias vendidas, fato até então inédito no mercado brasileiro para um disco de estréia.

Em junho do 1983, foi lançado seu primeiro LP solo, "Vôo de Coração", que teve a sorte de repetir o sucesso da música carro-chefe. Ao todo, 5 faixas do disco, "Menina Veneno", "A Vida Tem dessas Coisas", "Casanova", "Pelo Interfone", e a canção-título, "Vôo de Coração" ocuparam os primeiros lugares das paradas de sucesso brasileiras.

Em 1984 foi premiado com o prestigioso Trofeu Imprensa, como melhor cantor do ano 1983. Seus concorrentes na mesma categoria eram ninguém mais ninguém menos que Roberto Carlos e Tim Maia. "Uma honra e uma temeridade!", segundo palavras do próprio Ritchie.

No mesmo ano, montou uma banda com Nico Rezende (teclados), Torquato Mariano (guitarras), Fred Maciel (bateria), Nilo Romero (baixo), Chico Sá (sax), Mariza Fossa & Sonia Bonfá (vocais) e embarcou com a banda numa turné nacional de mais de 140 cidades brasileiras além de excursionarmos por vários países da América Latina.

Enquanto estavam na estrada, Ritchie soube que o disco havia ultrapassado a marca mágica de um milháo de discos vendidos. Foi a realização de um sonho.

Em 1985, foi convidado a participar do megaclipe/filme promocional do Mick Jagger, entitulado "Running Out of Luck". No filme Ritchie faz o papel de um popstar britânico que chega no Brasil pela primeira vez. A cena, onde Ritchie entra acompanhado de meu manager, Dennis Hopper, foi filmada no aeroporto Santos Dumont, no Rio.

Até hoje, tem 8 discos solos lançados no Brasil. O mais recente é o cd/dvd/blu-ray "Outra Vez" (ao vivo no estúdio) lançado por seu próprio selo PopSongs. É o primeiro Blu-ray de um artista a ser gravado, produzido e fabricado no Brasil. Isso sem contar com as várias coletâneas da SonyMusic e um disco como integrante da banda all-star Tigres de Bengala, ao lado de Vinicius Cantuária, Mu & Dadi (A Cor do Som), Claudio Zoli e Billi Forghieri (Blitz).

Ritchie já participou, como convidado especial, em discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil (seu disco de 84, Raça Humana é generosamente dedicado a ele),
Foi o convidado especial em diversos projetos de artistas como Wagner Tiso, Kid Abelha e Flávio Venturini, entre outros.

Realizou shows nos Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Peru e em todo o território brasileiro.

Diversas músicas suas foram escolhidas como tema de novela de TV. Em 1986, a música "Transas", escrita por seu tecladista Nico Rezende e empresário Paulinho Lima, foi premiada com o Troféu Villa Lobos como o compacto mais vendido do ano, graças em boa parte ao sucesso da novela "Roda de Fogo". Outras canções suas utilizadas em novelas são "Casanova", "Só pra o Vento", "Coisas do Coraçao", "Mais Você" e "Um Homem em Volta do Mundo", esta última gravada especialmente para a novela Cara e Coroa de 1996.

Projetos especiais dessa época incluem a gravação em Londres de músicas feitas em parceria com Dominic Miller. Seu amigo de longa data, Dominic é o atual guitarrista da banda do Sting, com quem escreveu o megasucesso "Shape of My Heart".

Além de se dedicar à música, Ritchie gosta de pilotar computadores e engenhocas MIDI desde 1985 e também atua na área de multimídia com gravações para projetos educacionais em CD ROM, como MPB para Crianças, e a produção de arquivos MIDI de ritmos brasileiros para Keyfax Software (a série Twiddly Bits) com o super-batera Alfredo Dias Gomes.

Desenhou a "Vitrola Virtual", um songbook interativo para guitarristas, para o Lulu Santos, como parte integral do seu website oficial. O site foi votado pela IBest entre os 10 melhores websites de 1997, na categoria Arte & Cultura.

Uma parte do site do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, uma versão interativo do livro, "O Avesso das Coisas", também foi desenvolvido por Ritchie em 1998, junto com o neto do poeta, Pedro Drummond.

Hoje em dia trabalha apenas ocasionalmente como websound designer mas por boa parte dos anos 90, chegou a trabalhar nisso quase em tempo integral.

Em 1999, foi convidado por Thomas Dolby (o artista, produtor e fundadador da Beatnik Inc.) para desenhar e implementar a sonorização dos websites da Yahoo! Digital e Beatnik.

Recentes trabalhos sonorizados no Brasil incluem o USINACIFRAS (um songbook interativo para guitarristas, movido à Beatnik) da hoje já extinta Usina do Som.

Hoje em dia não trabalha muito mais como consultor free-lancer de web, simplesmente porque não dá mais tempo.

A música sempre falou mais alto em sua vida.

Seu CD solo mais recente, entitulado "Autofidelidade", foi lançado em junho de 2002 pela DeckDisc. É um disco de músicas inéditas, seu primeiro lançamento solo em mais de 10 anos, e vem com 14 faixas, 5 delas cantadas em inglês.

O primeiro single "Lágrimas Demais" foi tema da personagem da Vera Fischer na novela Global "Agora É Que São Elas".

Desde 2004 tem voltado cada vez mais à estrada, percorrendo o Brasil todo fazendo shows com sua banda e também como integrante de um road-show dos Anos 80 composto de colegas e convidados da nata do BRock, sob a batuta do amigo Leo Jaime.

O DVD de um show, gravado para o programa Multishow em junho de 2005 no teatro Olympia de São Paulo, um sucesso de público e crítica, foi premiado recentemente com um disco de platina pela venda de mais de 78,000 exemplares. Uma faixa, entitulada "Fala", gravada num disco tributo ao Secos e Molhados em 2003, pela Deckdisc, foi selecionada como tema para a personagem de José Mayer na novela da Globo, "A Favorita", que estreiou em junho de 2008.

Ritchie mora atualmente no Rio de Janeiro com a mulher, Leda e com suas duas filhas, Mary e Lynn, e a cadelinha, da raça Cão D'Água Português, que atende pelo nome de Joaquina.

Fonte: Site oficial do cantor.

Um comentário:

  1. Valeu, mais valeu mesmo, a menina veneno envenenou uma fase de minha vida...Tudo tem seu tempo mas valeu a pena ter vivo aqueles tempo.

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