quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paulinho Moska

Paulo Corrês de Araújo, o usimplesmente, Paulinho Moska, nasceu na cidade do Rio de Janeiro/RJ, no dia 27 de agosto de 1967.

Quarto filho de um carioca, Marcello, com uma baiana, Paulinho tem três irmãos, Oswaldo (Dado), Maurício (Mu) e Maria Eliza (Malica). Viveu uma infância muito feliz numa família divertida e harmoniosa. Todos os verões a família ia à Bahia visitar os parentes, retornando só depois do carnaval. Era uma viagem longa de carro: dois dias de sanduíches, ovos cozidos e
banana-nanica.

O pai, jornalista por formação, depois de trabalhar alguns anos no Jornal do Brasil, começou a dirigir a administração do Morro Pão de Açúcar, onde no final dos anos setenta foi inaugurada uma casa noturna, o "Dancin'Days". Na
inauguração ocorreu um show de lançamento de um grupo de mulheres: eram as "Frenéticas". Paulinho devia ter uns dez anos de idade, nenhuma criança podia entrar, mas, sendo o pai o diretor, deu-se um jeito. Ele ficava escondido embaixo da mesa de som. Essa mesma casa noturna virou depois a "Concha Verde", onde começou a ter shows inesquecíveis, como Hermeto Pachoal, Egberto Gismonti, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Gal Costa, Zezé Motta etc... Paulinho ia a todos, sempre se escondendo do Juizado de Menores.

No começo dos anos oitenta, com o nome de "Noites Cariocas", o Pão de Açúcar (Morro da Urca) se firmou como um dos "points" mais quentes para se assistir a um show de Rock no Rio de Janeiro. E lá estava o adolescente Paulinho, assistindo a um dos primeiros shows de Paralamas, Kid Abelha, Titãs, Lobão, Marina, Lulu, Ultraje... Não tinha mais jeito, pensou o adolescente, um dia teria que estar ali, cantando, tocando, dançando, provocando, enlouquecendo.

Começou a tocar violão aos 13 anos, por causa do irmão Oswaldo. As primeiras canções que aprendeu com ele foram realmente "Stairway to Heaven" (Led Zepelin) e "Hora do Almoço" (Belchior), as duas músicas mais fáceis e batidas da história. Mas o irmão também compunha suas músicas e se inscrevia em festivais de colégio com elas. Nessa época conheceu num acampamento em Campos do Jordão-SP (Pumas) um maluco chamado
André Abujamra, o Abu, que o ensinou os primeiros acordes de blues e rock. Logo começou a fazer sua turma de amigos músicos no colégio, na rua, no bairro. Nunca teve professor e aprendeu tocando com amigos, trocando informações e "levando som".

Já escrevia suas letras, que na época adorava, e os amigos também, o queo ajudou bastante a acreditar que poderia ser um compositor de
canções.

Quando chegou a hora do vestibular, teve que optar. Não ia dar pra fazer Medicina e Música, Arquitetura e Teatro, Engenharia e Cinema... Então, depois de um papo seríssimo com o pai, matriculou-se na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras-RJ) e começou definitivamente o mergulho em direção a esse universo paralelo que é o mundo das Artes. Estudou teatro de 83 à 85. Formou-se e começou a fazer cinema. Atuou modestamente em alguns filmes (A Cor do seu Destino, Um Trem para as Estrelas, O Mistério do Colégio Brasil, Kuarup, PSW e Ócio).

A música corria paralelamente, pois a essa altura já estava no coral Garganta Profunda, que foi sua primeira escola de música. O repertório era muito misturado: de Beatles a modinhas imperiais, de Jobim a árias medievais, do samba ao clássico, tudo de bom cabia no Garganta. Foram 2 anos de uma felicidade musical intensa. Em 87 o Garganta começou um projeto de pequenos grupos (duplas, trios e quartetos) dentro do próprio coral. Assim surgiu o "Inimigos do Rei", um trio vocal formado por Paulinho, Luiz Nicolau e Luis Guilherme. Decidiram então sair do coral para dedicarem-se à banda no final desse ano (87), e logo começaram a se apresentar em pequenos bares no RJ, como o extinto "Pitéu", na Barra da Tijuca. Somente em 89, dois anos depois, conseguiram gravar o disco de estréia, pela CBS (atual Sony Music), e emplacaram dois sucessos imediatos: "Uma Barata Chamada Kafka" e "Adelaide".

Com o Inimigos aprendeu o senso coletivo de equipe e descobriu um Brasil de vários "brasís". Conforme iam viajando com os shows, Paulinho ia se deslumbrando com as diferenças entre cada estado e região; os sotaques, as comidas, as roupas, o jeito singular de cada lugar e cada povo.

Finalmente, em Janeiro de 92 tomou coragem e saiu do Inimigos do Rei para se dedicar então à chamada "carreira solo". Era a época do surgimento de artistas como Nirvana, Pearl Jam, e Lenny Kravitz. Escutava sem parar os novos discos de rock e comprou um violão folk para compor músicas com mais "atitude". Por isso seu primeiro disco, o "Vontade" (lançado em 93), é um disco de rock. Como um grito de libertação, o rock era o melhor veículo para isso. Decidiu que o disco seria gravado e mixado analogicamente, ou seja, sem nenhum equipamento digital. "Vontade" é um disco muito especial para Paulinho, pois além de ser o primeiro, tem uma sonoridade diferente, como uma banda de garagem.

A imprensa começou a colocar ao lado do seu nome a palavra "roqueiro", o que o incomodou muito. Paulinho adorava Rock, mas tinha a impressão imediata de ter saído do rótulo de "engraçadinho" do Inimigos e caído em outro galho da mesma árvore de rótulos. Sentiu-se perdido, auto-questionando sobre o "porquê" de ser artista.

Foi quando começou a se interessar por filosofia e, por consequência disso, a
se interessar por outras artes. Um grupo de estudo sobre Gilles Deleuze foi o trampolim para esse mergulho , modificando profundamente a imagem que ele tinha da vida. Isso está muito claro no seu segundo disco-solo, o "Pensar É Fazer Música" (lançado em 95). Se musicalmente há um namoro evidente entre o Pop com a MPB, as letras apontam para a filosofia existencialista. O projeto gráfico foi inspirado em auto-retratos do pintor austríaco Egon Schielle. A canção preferida de Paulinho nesse disco é "Espaço Liso (o fado)", embora a faixa "O Último Dia" tenha sido a mais tocada em rádios por ser a abertura da mini-novela "O Fim Do Mundo", e que na verdade deu o primeiro impulso para uma comunicação de massa que o artista ainda busca, não como objetivo, mas como motivo.

Em 97, lançou Contrasenso" (sem o hífen mesmo). O casamento de Pop com MPB continuou e essa barreira já foi definitivamente quebrada, não só por ele, mas por vários artistas que surgiram, nos anos 90, misturando tudo
que viam (e ouviam) pela frente.

Depois de gravar três discos de estúdio, só com canções autorais, durante uma temporada de shows no Teatro Rival(RJ) surgiu a idéia de registrar o acontecimento "ao vivo". Foram gravadas três apresentações, escolhidos os melhores "takes", e foi mixado o primeiro disco em que Paulinho interpreta também canções de outros compositores. Além de uma espécie de coletânea da sua carreira, Paulinho canta nesse disco Peninha, Raul Seixas, Titãs, e uma letra inédita de Cazuza.

Está lá no encarte do CD: "Disco ao vivo é o retrato de uma grande festa que continua na nossa casa".

Nesse espírito de multiplicidade, chamou Marcos Suzano (ritmo) e Sacha Amback (samplers e interferências) para conceberem e gravarem o Móbile (lançado em 99), seu quarto disco de estúdio. Dessa vez, além das composições, optou por investigar sonoridades diferentes para as suas canções.

Móbile inaugurou definitivamente sua "aventura" sonora em parceria com esses dois músicos fantásticos, que tanto modificaram sua relação com a música: Suzano e Sacha. A influência da música eletrônica como "salvação" sonora para, segundo o próprio Paulinho, "a minha mesmice pop" (dica: no disco ao vivo tem uma faixa bônus, gravada no estúdio, chamada "Mesmice". É a última faixa do CD. Nela ele utiliza modestamente, pela primeira vez, loops, ruídos, e interferências, como se já anunciasse que o flerte-eletrônico estava próximo).

2001 foi o ano de "Eu falso da minha vida o que eu quiser". É uma continuidade do mesmo projeto sonoro inaugurado com o "Mobile". Um e outro, um outro, um outro um.

Durante a tour do "Falso" comprou uma câmera digital e comecou a fotografar as cidades, as pessoas e os quartos de hotel em que se hospedava em dias de show. Acabou obcecado por uma série interminável de auto-retratos em objetos espelhados dos banheiros dessses quartos (maçanetas, torneiras, ralos, chuveiros, aparador de toalha...) Foram 2500 fotos tiradas até o fechamento do disco, dois anos depois. Acabou compondo muitas canções inspiradas pelas fotos, o que o obrigou a colocá-las no encarte do CD. Foi uma maneira nova de compor canções. Tão nova que acabou colocando o nome do disco de "Tudo Novo de Novo", numa referência ao seu novo motivo: a fotografia e os auto-retratos.

No ano de 2003 esteve novamente no cinema, no filme "O Homem do Ano" de José Henrique Fonseca. Atuou também numa mini-série global (TV) chamada "A Terra dos Meninos Pelados" e trabalhou com Hamilton Vaz Pereira (Teatro) no espetáculo " A Leve, o Próximo Nome Da Terra".

Lançou ainda os cds: "+ Novo de Novo" (2007), Zoombido (2008) e Muito Pouco - 2 CDs (2010).

Paulinho permanece compondo e realizando shows e desenvolvendo projetos sempre inovadores.

Fonte: Site oficial do cantor.

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