sábado, 1 de dezembro de 2012

Marília Medalha

A compositora e cantora Marília Medalha nasceu em Niterói, RJ, em 25 de julho de 1944.

Começou sua vida artística no início da década de 60, cantando em rodas, clubes e bares (dentre eles, o pequeno e inovador bar Petit Paris), na sua cidade natal, em companhia dos amigos contemporâneos Tião Neto, Sérgio Mendes, e a turma do MPB 4.

A carreira profissional iniciou-se no teatro de Arena de São Paulo, em 1965, no musical Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com músicas de Edu Lobo. Nesse musical, que ficou em cartaz por mais de um ano, Marília Medalha recebeu o prêmio de Atriz Revelação, da Associação Paulista de Críticos Teatrais, em 1966. Em seguida, lançou-se como cantora em programas da TV Excelsior (“Ensaio Geral”, ao lado dos veteranos Ciro Monteiro, Cartola, Jacó do Bambolim, Sidney Muller, Gilberto Gil, entre outros), e eventos da TV Record em São Paulo, onde participou de significativos Festivais de Música Brasileira. Em 1967, conquistou o 1º lugar com a música "Ponteio", de Edu Lobo e Capinan (III Festival da Música Popular Brasileira). No ano seguinte, Marília Medalha foi finalista com a música "Memórias de Marta Saré", de Edu Lobo e Guarnieri (IV Festival da Música Popular Brasileira), e na Bienal do Samba, também na TV Record, 3 lugar com a música Pressentimento, de Elton Medeiros e Hermínio Belo de Carvalho. Nesse período gravou dois LPs pelo selo Philips: primeiro produzido por Aloysio de Oliveira, com arranjos de Oscar Castro Neve (1968), e o segundo produzido por Manoel Barembeim (1969), com arranjos de Rogério Duprat, César Camargo Mariano, entre outros.



Marília Medalha 
Em 1970, Marília Medalha estreou o musical "Tudo de Novo", com Guarnieri e Myrian Muniz, com direção de Sylvio Zilber. Nesse mesmo ano, iniciou um período de trabalho em discos e shows por todo o Brasil e no exterior, ao lado de Vinícius de Moraes. Foram três anos de produção contínua, trabalho que gerou o show "Encontro", com a participação de Toquinho. Desse “encontro” resultaram 13 composições em parceria com Vinícius de Moraes, sendo Marília a única mulher a compor um conjunto de obra com o poeta. Pelo selo RGE, registraram juntos dois discos – "Como Dizia o Poeta" (1971), e "Marília-Vinícius" (1972), cujas canções “Se o Amor Pudesse”, “Valsa para o Ausente”, "Canção da Canção que Nasceu”, “O Grande apelo”, entre outras, já revelavam a plena congruência dos versos do poeta nos temas compostos por Marília.

Em 1973, gravou o disco "Caminhada", com arranjos e produção de Rosinha de Valença, também pelo Selo RGE. Esse trabalho apresentava canções de Marília Medalhaem parceria com Roberta Faro, Vinícius de Moraes e Antônio Falcão, bem como enfatizava sua interpretação peculiar e sensível em releituras de canções de Herivelto Martins, Klécius Caldas e Luiz Bonfá.

Em 1975, ao lado de Zé Kéti e João do Vale, Marília atuou na remontagem do show "Opinião", com direção de Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro.

Em 1977, dividiu o palco do teatro João Caetano, no Rio, com Edu Lobo e a Banda Black Rio, no show "Seis e Meia", na Praça Tiradentes. No final desse mesmo ano viajou o Nordeste brasileiro ao lado do compositor Zé Kéti, no Projeto Pixinguinha. Lançou o LP "Bóias de Luz" em 1978, pela gravadora Continental, enquanto dava continuidade aos shows com Zé Kéti no Projeto Pixinguinha pelo Sul do país.

Em janeiro de 1979, Marília Medalha apresentou-se em temporada no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro, com seu show "Pela Rua", apontado pela crítica especializada como o melhor evento musical do verão carioca daquele ano. Com esse show, Marília se apresentou em várias cidades brasileiras, na Argentina e no Uruguai.

Em 1981, Marília Medalha realizou turnê com o violonista Toquinho pela Argentina, passando também por Montevidéu e Punta Del Leste.

Em abril de 1983, realizou o Projeto Funarte, com Rosinha de Valença, na sala Sidney Miller (Rio de Janeiro), e em dezembro desse mesmo ano, dirigida por Fauzi Arap, atuou no musical "Dura Beleza" ao lado da atriz Tháia Peres e do violonista e compositor Dante Ozzetti, em São Paulo, na sala Guiomar Novaes. Esse musical foi gravado pela RTC e transmitido para todo o país em rede nacional (Arquivo TV Cultura).

Em 1984, Marília fez vários shows pelo país e sete apresentações na Costa do Marfim – África. Em 1986, ainda no Projeto Pixinguinha, estreou no Circo Voador do Rio de Janeiro ao lado de João Nogueira. Os dois viajaram em seguida pelas capitais do Norte brasileiro. Sucessivamente Marília continuou seus trabalhos em teatros, bares e campus universitários de todo o Brasil.

Alguns de seus discos foram relançados em Cd – "Bóias de Luz" (pela Warner), "Caminhada" (pela RGE), "Marília-Vinícius", e "Como Dizia o Poeta" (pela Universal Music).

Atualmente, Marília Medalha participa de eventos especiais, dedicando-se somente aos projetos com os quais se identifica estética e ideologicamente, como o trabalho "Tributo a Zé Kéti", no CCBB do Rio de Janeiro, coordenado por Elton Medeiros, e o musical "Rainha Quelé", homenagem a Clementina de Jesus, em 2002, no SESC Ipiranga, em que reverencia a sambista Clementina na interpretação marcante de seus jongos, partidos e corimas. Nesse mesmo ano participou de um tributo ao compositor Sidney Muller, na Funarte do Rio de Janeiro, e do evento "A Era dos Festivais", coordenado por Zuza Homem de Mello.

Em 2005, Marília Medalha atuou no musical" Geraldo Filme - Carnaval e Tradição", ao lado do ator e cantor Celso Sim, atuando também como compositora na trilha do espetáculo. Nesse mesmo ano, fez trilhas para os musicais do Projeto "Em Cena, Ações!", também do SESC Ipiranga. Dentre as canções para a trilha, em grande parte instrumental, destacaram-se os temas “África Notura” – parceria com Dulcinéa Pilla, na trilha de "O Rei da Vela", e "O Vento de Ibira". Nesse evento, participou também como depoente, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, da releitura de "Arena Conta Zumbi".



1967 / 2011
Com timbre e cor vocais peculiares, estilista do canto, Marília Medalha é um decano de nossa música popular, ressaltada pela crítica por sua forte expressão cênica vencilhada a um canto cada vez mais maduro e visceral.

Como compositora, destaca-se pela musicalidade e pela riqueza harmônica de composições, na maioria, ainda inéditas, dentre as quais se destaca “Cassorotiba”, classificada entre as finalistas do Festival da Música Popular Brasileira da TV Cultura, realizado em agosto de 2005. ______________________________________________________________

DISCOGRAFIA: 1966 - ARENA CONTA ZUMBI (trilha da peça) - (RGE)/ 1968 - MARÍLIA MEDALHA - (Philips)/ 1969 - MARÍLIA MEDALHA - (Philips)/ 1971 - COMO DIZIA O POETA - (RGE), com Vinícius de Moraes e Toquinho/ 1972 - MARÍLIA – VINÍCIUS - (RGE), com composições de Marília e letras de Vinícius/ 1973 - CAMINHADA - (RGE)/ 1978 - BÓIAS DE LUZ - (Continental)/ 1992 - BODAS DE VIDRO - (Selo Niterói Discos).

Fontes: Sites My Space Marília Medalha; TV Record; Youtube.


                                                                                   Marília Medalha e Edu Lobo - "Ponteio" - Festival da Record / 1967   




                                                                     Marília Medalha e Edu Lobo - "Porta Estandarte" - Fantástico/ 1978
                                              

                               
                                                                      Marília Medalha - "Galope / Nós os Grandes Artistas" / 2009


2 comentários:

  1. Assisti por diversas vezes a montagem do musical Arena conta Zumbi, inesquecível. Gostaria de ver o trabalho da Marilia nos dias de hoje, vocês poderiam publicar mais sobre ela.

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  2. Seria prazeroso para nós, brasileiros, ter a oportunidade de ver Marília Medaglia de volta aos palcos , brindando-nos com sua voz inconfundível e com suas maravilhosas músicas.

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