sábado, 1 de dezembro de 2012

Edu Lobo

Eduardo de Góis Lobo, conhecido como Edu Lobo, nasceu no Rio de Janeiro/RJ no dia 29 de agosto de 1943.

Filho do compositor Fernando Lobo, começou na música tocando acordeon (dos 8 aos 14 anos), mas acabou se interessando pelo violão, contra a vontade do pai.


Edu Lobo
Foi criado no Rio de Janeiro e na casa dos tios, em Recife, PE, onde passava as férias escolares.

Fez os cursos ginasial e colegial no Colégio Santo Inácio, e por essa época já tentava algumas composições.

Na PUC cursou Direito até o terceiro ano. Com 16 anos começou a se interessar pelo violão, iniciando-se com um amigo de infância, o compositor Theo de Barros, e estudando teoria musical, mais tarde, com Wilma Graça.

Por volta de 1961, passou a frequentar shows, principalmente no Beco das Garrafas, em Copacabana, onde assistia a espetáculos dos representantes da nova geração musical, entre os quais João Gilberto, Sergio Mendes, e Luis Eça (do Tamba Trio).

Iniciou a carreira nos anos 60 fortemente influenciado pela bossa nova, quando então numa parceria com Vinicius de Moraes, compôs "Só Me Fez Bem". Porém, com o decorrer do tempo adotou uma postura mais político-social, refletindo os anseios da geração reprimida pelo ditadura militar brasileira. Nesta fase surgiu uma parceria com Ruy Guerra e as composições engajadas "Canção da Terra", "Reza" e "Aleluia".


Edu Lobo
Nesse período, com Dori Caymmi e Marcos Valle formou um conjunto que chegou a atuar em programas de TV e em shows.

Ao mesmo tempo em que participava de vários festivais de música popular, obtendo o primeiro prêmio em 1965 com "Arrastão" (com Vinicius de Moraes) e em 1967 com "Ponteio" (com Capinam), Edu dedicava-se a compor trilhas para espetáculos teatrais, entre eles o histórico "Arena Conta Zumbi", ao lado de Gianfrancesco Guarnieri.

Contratado pela TV Record de São Paulo, passou a atuar semanalmente em programas dessa emissora. Em 1966 participou novamente de festivais: no II FMPB apresentou "Jogo de Roda" (com Rui Guerra) e no L FIC, da TV Globo, Rio de Janeiro, concorreu com "Canto Triste" (com Vinicius de Moraes), interpretada por Elis Regina e classificada entre as finalistas. Nesse ano, excursionou pela Europa com outros artistas, entre os quais Sylvia Telles e o Salvador Trio, tendo o grupo gravado um disco então na República Federal da Alemanha.

No Brasil, em 1967, depois de quatro meses em Paris, onde fez um filme para a televisão e compôs a trilha do filme "Valmy", de Jean Chérasse, voltou a participar de festivais, saindo vencedor do III FMPB com "Ponteio" (com Capinan), interpretada por ele e Marília Medalha. No ano seguinte, saiu o seu terceiro LP pela Philips, destacando o frevo canção "No cordão da saideira"


Edu Lobo
Em seguida, compos algumas canções para a peça teatral "Marta Saré", de Gianfrancesco Guarnieri que estreou em 1969, no Teatro João Caetano, No Rio de Janeiro. No início de 1969, participou do MIDEM, em Cannes, França. .

Casou-se com Wanda Sá e partiu em seguida para Los Angeles, onde residiu por dois anos. Aí se dedicou ao estudo sistemático da música, fazendo cursos de orquestracão com Albert Harris e de música para cinema, com Lalo Schiffrin.

Depois de uma temporada nos Estados Unidos, Edu voltou ao Brasil e retomou várias parcerias, entre elas a com Chico Buarque, e compôs as músicas de novas peças e balés.

Em 1974 e 1975 atuou como orquestrador contratatdo da TV Globo, tendo sido responsável pela trilha musical de 12 programas da série "Casos Especiais". Em 1975 compôs, com Vinicius de Moraes, a trilha Sonora do musical "Deus lhe Pague", de Joracy Camargo, com adaptação de Millôr Fernandes e lançou em seguida o LP das canções dessa peça pela EMI, com produção de Aloysio de Oliveira.

No ano seguinte, pela Continental, lançou o LP "Limite das águas". Em 1977 fez tourné por toda a Alemanha promovendo "Limite das Águas", lançado no exterior pela gravadora MPS.

Um ano depois gravou o LP "Camaleão", lançado no Brasil e no Japão, onde, pela primeira vez, interpretou, com letra de Ferreira Gullar, "O Trenzinho Caipira" de Heitor Villa-Lobos (adaptado e orquestrado por ele e por Dori Caymmi).

Em 1983, em parceria com Chico Buarque, compôs trilha sonora para o balé "O Grande Circo Místico", adaptação de Naum Alves de Souza do poema homônimo de Jorge de Lima e que daria origem a um LP lançado pela Som Livre com a participacão de Gal Costa, Tom Jobim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tim Maia e Zizi Possi, entre outros. As orquestrações foram feitas, com a colaboração do autor, pelo maestro Chico De Moraes.

A parceria com Chico Buarque se repetiria com "O Corsário do Rei", de Augusto Boal, de 1985 e "Dança da Meia-Lua", com roteiro de Chico Buarque e Ferreira Gullar, ambos lançados em disco pela Som Livre.


Edu Lobo
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação especial diminuta, no coro de uma versão brasileira de "We are the world", o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou "USA for Africa". O projeto "Nordeste já" (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções "Chega de mágoa" e "Seca d´água". Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Compôs em 1990 a trilha sonora do programa infantil Rá-Tim-Bum, da TV Cultura de São Paulo, lançado posteriormente em CD pela Eldorado. Este disco ganhou dois prêmios Sharp.

Em 1994 recebeu o Prêmio Shell de melhor compositor de música brasileira, pelo conjunto da obra. Lançou em 1995 o cd "Meia-Noite", com cordas orquestradas por Cristóvão Bastos, que traz um choro instrumental em homenagem a Tom Jobim: "Perambulando".

O disco "Meia-noite" recebeu o Prêmio Sharp de melhor disco de música popular brasileira do ano de 1995. O disco "Cambaio", gravado com Chico Buarque, recebeu o Grammy Latino de melhor álbum de MPB em 2002.

Edu continua trabalhando ativamente como compositor, arranjador e cantor.

Fontes: Sites Edu Lobo; Galeria Branca Dias.


                                                                               Edu Lobo e Marília Medalha - "Ponteio" - Festival da Record / 1967


                                                                                   Edu Lobo e Chico Buarque - "Beatriz"


Nenhum comentário:

Postar um comentário