quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Claudia Telles

Claudia Telles de Mello Mattos, conhecida artisticamente como Claudia Telles (Claudinha Telles), nasceu no Rio de Janeiro/RJ, no dia 26 de agosto de 1957.

Claudia foi criada na Zona Sul do Rio de Janeiro pelos avós maternos, Paulo e Maria. As frequentes viagens realizadas por sua mãe, Sylvinha, que na época vivenciava o auge de sua carreira e a separação de seus pais, quando ela tinha 3 meses, exigiam o carinho dos avós em sua educação. A boa situação financeira da família permitiu-lhe uma infância tranqüila e feliz. Sylvinha sempre se encantou com a “filha cantora”, adorava que Claudia, ainda tão pequena, cantasse para os amigos, pois tinha ritmo e era afinada.

A mãe famosa garantia-lhe o divertimento, levando-a a casa dos amigos para as noitadas de música, para ensaios, a cada programa de televisão que participava como Aerton Perlingeiro ou Moacyr Franco Show e, principalmente, em suas apresentações, onde a pequena Claudia, com seus olhos brilhantes e o sorriso que desde sempre foi sua marca registrada, encontrava grandes nomes da Música Popular Brasileira. Vinícius de Moraes, a conheceu ainda na barriga de Sylvinha, e seu padrinho de batismo, foi um dos grandes produtores de disco da época, Aloysio de Oliveira. Ainda pequena, viu sua mãe dar o primeiro trabalho profissional a Roberto Menescal, como seu músico acompanhante.

Emoção para Claudia é lembrar do último dia de show da temporada de Edu Lobo com Sylvinha, Quinteto Vila Lobos e o trio de Luizinho Eça. Foi no teatro Santa Rosa, quando Claudinha, chamada pela mãe cantou com ela e Edu “Arrastão”, a grande música de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

A vida da menina Claudia Telles foi assim até os 9 anos de idade.

A morte tirou-lhe a mãe de forma prematura, em um acidente de carro. Aos 31 anos, morria Sylvinha Telles. Claudia perdia a sua mãe e amiga. Pouco tempo depois, uma doença acometeria sua avó e a levaria após 4 anos, e a pequena Claudia passou a tomar conta da casa para ajudar seu avô.

Nessa época estudava num colégio de freiras, onde aprendeu piano e canto. Logo a morte de seu avô lhe tiraria o chão. Claudia estava praticamente só, embora tivesse pai, foi criada distante dele e com isso não tinha a afinidade necessária para conviver com o pai. Para sorte de Claudia, ao sair do colégio de freiras para um colégio misto, lá conheceu Marizinha do “Trio Esperança”, e com ela começou a trabalhar, escondido de seu avô, nos estúdios, fazendo vocais. Quando ficou só já trabalhava.

O sorriso sempre franco ainda estava lá, estampado em seu rosto de menina, mas já não havia tanta felicidade nele. Preocupações de gente grande habitavam o rosto e os sonhos de Claudinha e as batalhas do mundo adulto tomavam conta daquela mente sonhadora e ainda tão infantil.

Com 16 anos de idade, morava sozinha no mesmo apartamento que havia sido de sua mãe, em Copacabana, ela trabalhava, fazia feira, cozinhava, pagava contas e cuidava de todo o orçamento doméstico. E principalmente, sentia-se sozinha. Tornou-se adulta à força.

"Lembro de minha mãe sorrindo, brincando e cantando pra mim. Sei que ela desejava me ver como sua herdeira musical, me ensinou violão aos seis anos de idade”.

Se Sylvinha queria que ela realmente fosse sua herdeira musical, não se sabe ao certo, mas quando Claudia estava completando 1 ano de idade, o comentário da mãe foi que ela seria cantora, porque chorava "em lá menor e não desafinava". E assim foi.

Claudia iniciou sua carreira fazendo coro para artistas famosos em suas gravações, entre eles Fevers, Roberto Carlos, José Augusto, Gilberto Gil, Jerry Adriani, Jorge Ben, Belchior, Simone, Rita Lee, Fafá de Belém, entre vários outros. Sua chance de "brilhar" veio, entretanto, quando uma amiga do Trio Esperança, Regina, precisou se afastar do grupo por causa da gravidez, Claudia a substituiu em gravações e shows, ganhando experiência de público. Daí para frente ela se dedicaria completamente à arte musical.

Além das gravações em estúdio, Claudia foi crooner do conjunto de Chiquinho do acordeon, um dos mais conceituados da época, durante um ano. Saiu quando Walter D'Ávila Filho, ao escutar uma música nova de seu parceiro e também produtor na época da CBS (hoje Sony Music) Mauro Motta, se lembrou dela e de sua voz - um pouco parecida com a da mãe, mas com um timbre metálico, diferente das vozes que havia no mercado e deu-lhe, a título de experiência a “tal” música para gravar. O sucesso foi estrondoso.

A música logo passou aos primeiros lugares das paradas. Todos queriam saber de quem era aquela voz suave e vieram os diversos convites para programas de televisão. O público jovem se identificou imediatamente com aquela menina de cabelos escorridos, tímida, que lhes derramava versos de amor. "Fim de Tarde" foi um dos grandes sucessos daquele ano de 1976 e agora menina-mulher, amadurecida pelo tempo e pelas circunstâncias, conhecia a fama. Foram vendidas mais de 500 mil cópias do compacto simples, o que lhe valeu o primeiro disco de ouro da carreira, oportunidades para excursionar e também para gravar a música em inglês e espanhol.

Aos 19 anos, Claudia se projetava nos mesmos caminhos antes trilhados com incomparável êxito pela mãe. Passou então a ser requisitada para shows, cantando do samba ao bolero. Mas sua paixão era a Bossa Nova, chegando a ser considerada a mais perfeita intérprete de "Dindi", uma das muitas músicas que havia feito de sua mãe uma celebridade e unanimidade nacional, ultrapassando as fronteiras do Brasil.

No seu primeiro LP, em 1977, Claudia regrava “Dindi”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, grande sucesso na voz de sua mãe, e faz mais dois grandes sucessos, “Eu preciso te esquecer” e “Aprenda a amar”.

A primeira foi tema principal da novela “Locomotivas” da Rede Globo, dos mesmos compositores de “Fim de tarde”, que também vem fechando esse LP, e a segunda de autoria de Claudia com Walter D’ávila Filho. Nesse disco, Claudia faz uma homenagem aos “Beatles”, regravando “And I love her” e se lança como compositora, com três canções suas.

O LP seguinte, em 1978, também foi produzido por Lincoln Olivetti, e teve como música de trabalho “Miragem” de Mariozinho Rocha, Renato Correa e Paulo Sérgio Valle, essa música seria defendida num festival por Claudia, mas acabou não acontecendo, e virou carro chefe desse lp, todas as músicas inéditas, parcerias de Claudia com Peninha, com o próprio Lincoln e Ronaldo Bastos.

Um lp com músicas dançantes, o verdadeiro “Funk” dos anos 70 e músicas souls românticos de compositores brasileiros. Mas Claudia mais uma vez homenageia sua mãe, regravando “Primavera” de Carlos Lira e Vinícius de Morais.

Em 1979, Claudia Telles lança seu terceiro LP "Eu Quero Ser Igual a Todo Mundo", com músicas inéditas como "Esse Amor Existe" (Guilherme Arantes) e regrava, como fazia desde o primeiro LP, mais um sucesso de Sylvinha Telles, "Demais" de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira. Neste disco, Claudia contaria, além de Guilherme Arantes, com as participações de Jane Duboc, Marcio Greick e do Grupo Roupa Nova, na época os Fanks.

Em 1980, grávida de seu primeiro filho, Claudia voltaria as paradas com o sucesso "Eu Voltei", mais um compacto simples, tema da novela "O Amor é Nosso" (Rede Globo). Nesse ínterim, muda a direção da gravadora, e embora Claudia ainda tivesse mais 4 anos de contrato, prefere sair, por não concordar com a nova maneira de agir da empresa.

Em 82, á convite de Jairo Pires, seu primeiro diretor artístico e José Vitor Rosa, que foi seu diretor artístico na CBS também, grava mais um compacto simples, com as músicas “Tanto amor” e “Pra sempre”, onde se destacou nas rádios a segunda canção, de autoria de Claudia. Jairo Pires e José Vítor haviam aberto uma nova gravadora, chamada “Lança Discos”, e os dois primeiros produtos foram Claudia Telles e Tim Maia.

Ficando sem gravar durante seis anos, Claudia retorna em um lp, desta vez pela gravadora RGE, do grupo Som Livre. Neste disco, Claudia mostra mais o seu lado de compositora, das 10 canções gravadas, 5 são de Claudia, só uma de parceria, com Prentice e Paulo César Barros, a música que se destaca é “Solidão pra quê” de Gilson e Joran, compositores de “Casinha Branca”.Neste lp Claudia não regrava nada de sua mãe, mas diz: “Esse disco é dedicado a minha mãe Sylvia Telles, de quem eu herdei esse amor pela música. E também aos meus amigos, presentes e ausentes, que sempre acreditaram na minha capacidade de receber e transmitir sentimentos. A todos vocês que ajudaram na realização deste trabalho, o meu carinho eterno”.

Claudia nunca escondeu de ninguém o prazer que sentiu ao gravar "Dindi", um dos grandes sucessos de Sylvinha Telles: "Foi uma forma de homenageá-la". A homenagem foi além, veio em forma de batalha. A mesma batalha empreendida por Sylvinha para mostrar o que queria e do que era capaz, apenas com uma diferença: a dura comparação do seu trabalho com o da mãe, a eterna luta para provar que chegou onde quis sem nunca contar apenas com o fato de ser mais uma filha da mãe famosa.

Quatro anos após o sucesso de "Fim de Tarde", em entrevista à revista O Cruzeiro, contou do seu desejo de resgatar à memória os sucessos da Bossa Nova. Seria um tributo a sua mãe e ao maior movimento da história da música brasileira. Entrou em contato com sua gravadora e discutiram esta possibilidade. A idéia, entretanto, nunca saiu da gaveta, deixando seu sonho adormecido por algum tempo.

“O importante não é fazer coisas grandes, mas saber ser grande nas coisas que se pode fazer", foi graças a esta mentalidade que Claudia conseguiu ultrapassar inúmeras barreiras, muitas vezes impostas pelo próprio mercado fonográfico.

Afastada do disco desde 89, trabalhou duro para conseguir criar os 2 filhos: Leonardo e João. Nesse período fez de tudo um pouco, trabalhou muito em estúdio fazendo vocais, mas não abriu mão dos shows que vinha fazendo e nem de seus sonhos.

Em 1990, com a volta da Bossa Nova à baila, Claudia se incomoda com o muito falar de bossa e o pouco falar sobre a musa primeira da Bossa Nova, Sylvinha Telles, e monta seu primeiro show em homenagem a sua mãe, começou aí o seu resgate do repertório de Sylvinha em shows.

Em 1994, grávida do terceiro filho, é convidada pelo compositor e radialista José Messias, participaria do CD em homenagem aos 40 anos de carreira do amigo, cantando 3 faixas: “Olha o Povo Levantando” com Peri Ribeiro, Marcello Lessa e Gisele Martins, “Até Formar um Corpo Só” com Sylvio César e “Empresta o teu Sorriso” com Roberto Menescal, voz e violão. No lançamento deste CD, Roberto Menescal a convidaria para participar de um projeto que resgatava grandes compositores da música popular brasileira.

Assim, em 1995, a convite de Menescal grava "Claudia Telles Interpreta Nelson Cavaquinho e Cartola". O mercado viu então, que ela era capaz de cantar algo mais do que apenas os souls românticos que todos imaginavam. "Folhas Secas", "As Rosas não Falam", "O Mundo é um Moinho" e "A Flor e o Espinho" se incumbiram de mostrar que aquela menina de olhos castanhos e sorriso franco havia crescido musicalmente, se transformado em uma mulher de luta e que se via agora pronta para despertar aquele sonho que havia adormecido.

A consagração e o reconhecimento pelo seu trabalho viriam com a indicação ao Prêmio SHARP de Música, como melhor cantora daquele ano.

Em 1997, Claudia grava "Por Causa de Você", dedicado a Sylvinha Telles. Neste trabalho, interpreta o melhor do Samba Canção e da Bossa Nova como: "Lobo Bobo", "Discussão", "Duas Contas", além das belíssimas faixas nas quais, graças a atual tecnologia, Claudia, envolvida pela voz eterna e terna de Sylvinha interpreta “Dindi” e “Se todos Fossem Iguais a Você”.

Além da magia trazida pela reunião das vozes de mãe e filha, a capa do CD, de uma sensibilidade ímpar, traz a idéia da própria cantora: um retrato em branco e preto de Sylvinha, integrado a foto da filha em cores, segurando o violão da mãe, autografado por nomes como: Tom Jobim, Vinícius, Tito Madi, Chico Buarque, entre outros.

Nos shows de lançamento deste CD, um dos momentos mais emocionantes era também uma homenagem: uma música que Claudia havia composto para a mãe, seguida pela música feita por Aloysio de Oliveira para Sylvia: "Dindi", uma verdadeira declaração de amor musicada.

Agora não havia mais as comparações ou a idéia de que se tinha ali apenas mais uma filha da mãe famosa. Ali estava uma grande intérprete, uma cantora como poucas, capaz de, ainda hoje, chorar de emoção (em lá menor e sem desafinar).

A homenagem continuou, mas agora com a sensação de batalha vencida. Em 1997, Claudia é convidada pela gravadora Polygram para participar do CD "Casa da Bossa" e grava ao lado de Tito Madi o sucesso "Balanço Zona Sul", cuja venda supera as 100 mil cópias e ganha o Disco de Ouro.

Neste período ainda ao lado de Tito realizaria uma série de shows pelos principais teatros do Rio de Janeiro e do Brasil, interpretando os maiores sucessos da Bossa Nova e do Samba Canção.

No mesmo ano, a convite da TV Cultura, Claudia gravaria o Programa Ensaio, que viria a se transformar num especial sobre a cantora interpretando os sucessos de seus CDs e falando da convivência com Sylvinha.

Em 1998, mais uma vez Claudia estaria presente na trilha sonora de uma novela: "Se Todos Fossem Iguais a Você" extraída do CD "Por Causa de Você", é incluída na trilha de "Corpo Dourado" (Rede Globo). No ano seguinte, teria novamente seu talento reconhecido ao gravar “Samba de Uma Nota Só”, do mestre Tom Jobim.

O CD recebe na França, o “PRÊMIO GRAND PRIX DE MÚSICA” e a faixa interpretada por Claudia, chega ao segundo lugar nas paradas francesas.

Ainda no ano de 1999, participa do CD “A Discoteca do Chacrinha” cantando “Fim de tarde”, música que a projetara profissionalmente e recebe no programa do Gugu (SBT) mais um disco de ouro pelas 150 mil cópias vendidas.

O ano de 2000 marcaria a volta de Claudia a Bossa Nova, na sua origem, na pessoa e na poesia de seu maior representante: Vinícius de Moraes. O CD "Chega de Saudade" veio como mais do que justa homenagem a Vinícius de Moraes, no aniversário de 20 anos de sua morte. Acompanhada em estúdio pelo pianista Raimundo Nicioli e nos shows pelo violonista Marcello Lessa, Claudia demonstrou estar em sua melhor fase, com experiência de palco suficiente para cantar o que tem vontade.

Claudia participou em 2006 do Programa Rei Majestade, do apresentador Sílvi Santos. Continua realizando shows por todo o Brasil em casas de espetáculo e em casas noturnas.

11 comentários:

  1. Uma história muito bonita, de uma excelente cantora.

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  2. nossa... Acabei de ver a Claudinha Telles aqui no Silvio Santos, eu me lembro dela e de suas músicas. Li agora esse texto que é uma minibiografia dela e passei a admirá-la mais ainda. Que pessoa linda, que voz linda. Adorei saber mais sobre ela.... muito sucesso a voce, Claudinha, voce merece!!!

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  3. Uma vez, caminhando com um amigo pelo Shopping Nova América, tive a grata surpresa de vê-la. O passeio, é claro, foi suspenso até que a apresentação acabasse. Inesquecível.

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  4. História muito bonita, sou seu fã adoro suas músicas

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  5. Eu fui apaixonado pela Claudinha Telles..quando a via, meu coração saltava.. Hoje tenho 50 anos e é gratificante lembrar disso...ótima cantora..

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  6. Linda voz ,linda historia .
    “O importante não é fazer coisas grandes, mas saber ser grande nas coisas que se pode fazer.

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  7. saudades,onde anda claudinha, me avise.

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  8. Eu estou hoje com 53 anos e comecei ouvir Claudia Teles aos 10 12 anos e era apaixonado por suas musicas e a sua voz, ainda hoje curto a musica fim de tarde

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  9. nasci em 21 de agosto de 1957 e acompanhei apaixonado as musicas da Claudinha e gostaria de saber onde ela anda,Reinaldolages@hotmail.com

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  10. Claudinha, você participou da gravação do disco de Antônio Carlos e Jocafi em 1973? Encontrei a ficha técnica onde consta a dupla de cantoras Vânia Ferreira e Cláudia de Mello Mattos.

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